Prevenção de quedas nos idosos

As quedas têm um pesado impacto económico e social nas famílias, na comunidade e na sociedade. A Organização Mundial da Saúde indica que os fatores de risco associados às quedas são diversos e afetam o bem-estar geral do utente.

Quantos mais fatores de risco uma pessoa tiver, maior é o risco de queda. Alguns fatores de risco podem ser alterados, mas nem todos podem ser eliminados.
Os fatores de risco intrínsecos ao idoso que incluem aspetos relacionados com o envelhecimento são: diminuição da acuidade visual e auditiva, fraqueza muscular que leva à mobilidade reduzida, polimedicação e doenças crónicas tais como artroses, depressão e doenças neurológicas. Existem, também, fatores extrínsecos de quedas, que podem ser ambientais e sociais: calçado inapropriado, iluminação inadequada, superfícies escorregadias ou pisos irregulares, tapetes soltos e consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
As quedas podem ter consequências a nível físico como traumatismos, fraturas e feridas. A nível psicológico surgem muitas vezes sentimentos de medo, fragilidade, receio de ficar dependente de familiares e falta de confiança.
As pessoas idosas, antes de sofrerem uma queda, têm dificuldade em aceitar as suas próprias limitações físicas e cognitivas que afetam o estado de alerta e o equilíbrio.

Casa segura
Em casa, mesmo com todo o cuidado, todas as divisões podem representar um enorme risco de ocorrência de quedas para as pessoas idosas, pelo que enumeramos algumas recomendações genéricas para tornar o seu ambiente mais seguro.
A escolha das lâmpadas e das fontes de luz deve ser adequada a cada divisão. Durante a noite deixe uma luz de presença no corredor para auxiliar a visão, caso acorde no meio da noite.
Os interruptores devem estar ao alcance da mão quando estiver deitado na cama, para evitar levantar-se no escuro.
Procure utilizar uma cama larga, com altura suficiente para que, sentado, consiga apoiar os pés no chão, evitando tonturas.
Ao levantar da cama sente-se alguns segundos, em seguida fique de pé alguns segundos antes de começar a andar. Proceda de forma idêntica ao levantar-se de uma cadeira.
O piso da casa de banho deve ser, de preferência, antiderrapante. Se necessitar utilize barras de apoio no poliban, banheira e sanita. Na casa de banho utilize sempre tapetes antiderrapantes e com ventosa, no restante espaço da casa elimine todos os tapetes e carpetes.
Evite subir em bancos e escadas. Guarde os objetos que são pouco utilizados nos armários superiores e os de uso frequente em locais de fácil acesso.
Opte por sofás e poltronas confortáveis, com assentos que não sejam demasiado macios, e que facilitem os atos de sentar e levantar.
Retire os móveis que são obstáculo à passagem.

Evitar riscos
Use sapatos à medida, com solas aderentes de borracha e de preferência com ranhuras. Evite solas de cabedal e protetores de metal. Os sapatos devem ter saltos largos, calcanhares reforçados e presilhas ou atacadores, de modo a evitar que os pés fiquem soltos dentro dos sapatos.
Mantenha-se informado acerca dos medicamentos e das doenças que podem criar maior risco de quedas.
As pessoas que utilizarem auxiliar de marcha (bengala, andarilho, tripé ou canadianas) devem verificar com regularidade o estado das borrachas antiderrapantes.
As escadas, interiores e exteriores, devem ter sempre um corrimão de apoio.
Tenha sempre junto do telefone números de urgência, familiares ou vizinhos que o possam socorrer se necessário.
No exterior evite pisos irregulares e escorregadios.

Mais movimento
Realize exercício físico com regularidade, de modo a melhorar a sua condição física, em termos de agilidade e rapidez de resposta. A sua prática, moderada, regular e disciplinada é essencial para a boa saúde física e mental e a preservação da independência das pessoas idosas, para além de permitir controlar o peso, manter a massa muscular e óssea, melhorar o equilíbrio, a mobilidade e o tempo de reação, reduzindo assim o risco de queda.
Para as pessoas idosas que começam a praticar atividade física é importante perceber o nível de esforço que esta exige e a melhor forma de o controlar. Deve, por isso, iniciar por exercícios simples e caminhadas curtas e ir aumentando progressivamente, conforme a sua tolerância ao esforço.

Sónia Casado
Sónia Felgueiras
Enfermeiras Especialistas em Enfermagem de Reabilitação – ULS Nordeste