Fibromialgia – Uma doença a conhecer melhor

A fibromialgia é uma doença crónica caraterizada por dor músculo-esquelética generalizada e difusa, por fadiga extrema, com perturbações de sono, perturbações cognitivas, entre outros sintomas.

Atualmente sabe-se que esta é uma patologia do foro da Reumatologia e está associada a uma maior sensibilidade do indivíduo perante um estímulo doloroso. A inclusão da fibromialgia na reumatologia pode ser justificada pelo facto de ser uma doença que envolve músculos, tendões e ligamentos, não envolvendo, no entanto, as articulações, nem comprometendo órgãos internos.

Apesar de a fibromialgia poder apresentar-se de uma forma extremamente dolorosa e incapacitante, afetando a qualidade de vida do doente, ela não causa deformação nem reduz a esperança de vida.

As queixas no âmbito da fibromialgia variam de doente para doente e podem ser ligeiras ou graves, definindo assim um espectro funcional que vai do mero incómodo até à incapacidade para manter um emprego remunerado, as atividades domésticas ou mesmo para desfrutar do convívio com a família e com os amigos, o que torna a doença heterogénea nas suas manifestações.

Os seus sintomas podem variar de intensidade e podem mesmo desaparecer ou diminuir temporariamente, para reaparecerem mais tarde. As remissões são raras, embora por vezes existam ligeiras melhorias nomeadamente da dor e da fadiga.

Os fatores que podem agravar os sintomas são mudanças de tempo, humidade, frio, alterações hormonais, stress, depressão, ansiedade, tensão ou um esforço maior que o habitual.

 

 

Diagnóstico

 

A fibromialgia é uma síndrome que gera alguma incompreensão, por ainda não se conhecerem muito bem as causas que estão na sua origem e por ser de difícil diagnóstico nos exames habituais, sendo o mesmo feito mediante o historial clínico do doente e a exclusão de outras doenças.

Atualmente sabe-se que existe uma alteração nas áreas cerebrais responsáveis pela perceção e processamento da dor, onde o cérebro dos doentes com fibromialgia parece ter uma sensibilidade extrema aos estímulos dolorosos que recebe. Isto significa que estímulos não dolorosos para a maioria das pessoas são interpretados como dor pelo cérebro destes pacientes.

A investigação sobre as possíveis causas da fibromialgia tem-se orientado em áreas como o sistema nervoso central, o sistema nervoso autónomo, o músculo, o sono, causas genéticas, o sistema imunitário, o metabolismo e o estado psíquico dos doentes.

Fatores diversos, isolados ou combinados, podem favorecer o aparecimento da fibromialgia ou o agravamento dos seus sintomas, entre esses fatores estão: o stress, as doenças concomitantes, traumas físicos (acidente de viação, traumatismo, intervenção cirúrgica, entre outros), traumas emocionais (morte de um familiar, divórcio ou outros), infeções, vírus ou alterações hormonais.

Uma vez que nenhuma destas causas ou fatores agravantes se destaca como origem causadora da fibromialgia, é mais provável que seja uma combinação de fatores e causas que contribua para o desenvolvimento desta síndrome.

 

 

Prognóstico

 

Existem poucas informações disponíveis acerca da evolução e prognóstico da fibromialgia. Contudo, a maioria dos doentes continua sintomática ao longo do tempo, alternando períodos de agravamento dos sintomas com outros de atenuação dos mesmos. As remissões são raras, embora por vezes existam ligeiras melhorias, nomeadamente da dor e da fadiga.

As características da fibromialgia que mais interferem com o seu prognóstico são o modo de início, os sintomas e a gravidade dos mesmos, a presença de angústia e de perturbações do humor, a existência de incapacidade para o trabalho e lazer, tal como a coexistência com outras doenças.

 

 

Prevalência

 

A fibromialgia foi reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1990 e em 1992 foi considerada como uma doença do foro reumático.

Esta doença pode atingir homens, mulheres e crianças de todas as idades, etnias e estatutos. Estima-se que afete, mundialmente, cerca de 2% a 5% da população adulta, dependendo dos países.

80% a 90% são mulheres entre os 20 e os 50 anos, e a incidência aumenta progressivamente com a idade. Pode ser diagnosticada mais frequentemente na idade adulta, mas também pode aparecer em idosos ou em crianças e adolescentes.

Em Portugal, segundo um estudo da EpiReuma, estima-se que a fibromialgia afete 1,7% da população, com predomínio nas mulheres acima dos 40 anos, havendo um outro estudo que refere uma prevalência de 3,6%. De salientar que existem ainda muitos casos que não estão diagnosticados, sendo que muitos doentes vivem com indeterminação de diagnóstico durante muito tempo.

 

 

Tratamento

 

Caso suspeite que tem fibromialgia deve contactar o seu médico assistente. Todas as decisões relativas ao tratamento a seguir devem ser tomadas em conjunto pelo doente e o seu médico, tendo em consideração as características individuais de cada paciente. Não tome nenhum medicamento nem faça qualquer terapia sem o conhecimento do seu médico, pois pode ser perigoso para a sua saúde.

 

Fonte: Myos – Associação Nacional contra a Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crónica