Exercício Físico em utentes com DPOC

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença crónica que pode ser evitável, mas que infelizmente não tem cura. É caracterizada por uma obstrução (aperto) progressiva e persistente na passagem do ar pelas vias respiratórias (brônquios e as suas várias divisões mais pequenas) e está associada à presença de inflamação nessas estruturas.

Na maioria dos casos, é provocada por uma resposta anormal do organismo a algumas partículas inaladas ou a gases nocivos, a maior parte provenientes do tabaco, mas também de lareiras e de fogões a lenha/carvão, entre outros.
Em doentes com graus mais graves da doença, os brônquios e as suas divisões mais pequenas são submetidos a episódios inflamatórios quase contínuos e que vão levar a uma limitação da saída de ar dos pulmões. Ou seja, o ar fica retido nos pulmões, pois não é completamente expulso durante a expiração. Esta inflamação maciça pode provocar também destruição dos alvéolos, alterando a dinâmica respiratória normal.
Devido à sensação de dispneia (falta de ar) os utentes com DPOC limitam o seu exercício e atividade física por receio de agravamento da dispneia. No entanto, a prática do exercício físico, nestes utentes, apresenta múltiplos benefícios.

Fortalecer corpo e mente

Relativamente aos benefícios físicos, apesar de o exercício físico não melhorar diretamente a função pulmonar, verifica-se uma melhoria na função dos outros órgãos e sistemas, aumentando a tolerância ao esforço. Além disso é uma ótima oportunidade para o utente aprender e praticar técnicas de controlo da dispneia, através de técnicas respiratórias e de relaxamento.
A diminuição da ansiedade e depressão são os benefícios psicológicos mais evidentes com a prática de exercício físico. Sabe-se também que aumenta a capacidade de gestão da doença de uma forma global.
Caminhar pela saúde
O exercício físico regular, dentro das limitações impostas pela dificuldade respiratória, mantém a condição física e reduz a incapacidade. Mesmo aqueles doentes que não têm o hábito de praticar qualquer exercício físico beneficiam com a realização de exercícios graduais, particularmente quando estes exercícios estão integrados num programa de reabilitação respiratória.
Uma forma simples de praticar exercício físico é fazer caminhadas regulares, preferencialmente 1 hora por dia. A caminhada pode ser seguida ou feita por períodos (exp: 2 períodos de 30 minutos, 3 períodos de 20 minutos). O mínimo recomendável é 20 a 30 minutos, 5 dias na semana.
Inicie sempre a caminhada num passo confortável para si e em terreno plano. Vá caminhando progressivamente aumentando a distância e o tempo a cada dia. Deve começar por períodos mais curtos, por exemplo por 5 a 10 minutos e ir aumentando 5 a 10 minutos por dia até efetuar 1 hora. Se mesmo assim 5 minutos for difícil, caminhe 2 minutos e aumente 10 passos por dia. Pode optar por efetuar marcha sem sair do lugar por períodos progressivos (sobretudo se tem oxigénio não portátil em casa, podendo e devendo exercitar-se com oxigénio). Se é difícil caminhar 2 minutos, mexa os pés para cima e para baixo como se tivesse uma máquina de costura antiga. É sempre possível exercitar os seus músculos.

Controlar a respiração
É também muito importante fortalecer os membros superiores, para o ajudar na realização da atividades de vida diárias e controlar a sensação de dispneia. Pode fazer alguns exercícios simples em casa, para isso peça ajuda a um profissional de saúde da área da reabilitação.
Quando subir escadas use o corrimão. Suba lentamente e planeie pausas. Dê o passo a subir expirando com lábios semi-cerrados e inspire parado.
Deve aprender a controlar a sua respiração durante a prática do exercício físico: inspire pelo nariz e expire lentamente com os lábios semi-cerrados (o tempo de deitar o ar fora deve ser o dobro do tempo para encher os pulmões de ar). Se der 2 passos enquanto inspira deve dar 4 passos enquanto expira. O esforço realizado deve ser sentido de forma leve a moderado. Repouse se sentir agravamento da sua falta de ar.
Pequenas mudanças na vida do seu dia-a-dia são grandes passos para uma vida mais saudável e com mais qualidade: passe menos tempo sentado, faça jardinagem, evite usar o elevador, deixe o carro na garagem ou longe do seu destino, se utiliza transportes públicos saia antes da paragem habitual, vá a pé até ao café.
Praticar exercício físico (caminhar, frequentar regularmente ginásio, fazer desporto) ter uma alimentação saudável, saber lidar com o stress e ansiedade da vida diária, deixar o tabaco ou nunca o iniciar, são com certeza mudanças para uma vida com mais e melhor qualidade.

Qualidade de vida
Vale a pena deixar de fumar, visto que ao fim de 1 ano sem fumar a função pulmonar aumenta em 10%, melhorando a dificuldade em respirar e diminuindo a tosse. O risco de sofrer de doenças cardiovasculares diminui para metade; ao fim de 10 anos o risco de desenvolver cancro de pulmão reduz também para metade.
No seu dia-a-dia faça as suas atividades por ordem de prioridade. Elimine as atividades não necessárias. Planeie o seu dia dentro dos seus limites. Saiba em que alturas do dia está melhor e efetue as tarefas nas alturas do dia em que sente mais energia. Alterne trabalhos pesados com outros mais leves.
Não se esqueça de se proteger do frio e do vento e não se exercite no calor intenso ou poluição.
Um profissional de saúde da área da reabilitação poderá orientá-lo na implementação de um plano de reabilitação respiratória, com a certeza de que irá melhorar a sua qualidade de vida.
Marina Esteves*
Sónia Casado**
Sónia Felgueiras**
          * Enfermeira (Mestranda em Enfermagem de Reabilitação) – ULS Nordeste
**Enfermeira Especialista em Enfermagem de Reabilitação – ULS Nordeste

Fonte:
- Aprenda a Viver com a DPOC