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Diabetes: Prevenção, diagnóstico e tratamento

A diabetes afeta mais de 1 milhão de portugueses e diariamente são diagnosticados cerca de 200 novos doentes.

Estima-se que em Portugal a diabetes atinja 13,3% da população com idades entre os 20-79 anos, das quais 44% desconhecem ter a doença.
A diabetes é uma doença metabólica crónica, que pode ter várias causas e que se caracteriza pela hiperglicemia (aumento dos níveis de açúcar no sangue).
A classificação da diabetes estabelece a existência de quatro tipos clínicos, etiologicamente distintos:
– Diabetes tipo 1 resulta da destruição das células ß dos ilhéus de Langerhans do pâncreas, com insulinopenia (falta de insulina) absoluta;
– Diabetes tipo 2 é a forma mais frequente de diabetes, resulta da existência de insulinopenia relativa, com maior ou menor grau de insulinorresistência (resistência à ação da insulina ou diminuição da sensibilidade à insulina a nível dos tecidos alvo – principalmente músculo, fígado e rim). Corresponde a cerca de 90% de todos os casos de diabetes e, muitas vezes, está associada a obesidade, principalmente abdominal, a hipertensão arterial e a dislipidemia.
– Diabetes gestacional corresponde a qualquer grau de anomalia do metabolismo da glicose documentado, pela primeira vez, durante a gravidez.
– Outros tipos específicos de diabetes correspondem a situações em que a diabetes é consequência de um processo etiopatogénico (estudo especializado do que provoca uma doença ou patologia) identificado, como defeitos genéticos da célula ß; defeitos genéticos na ação da insulina; doenças do pâncreas exócrino; endocrinopatias diversas e diabetes induzida por químicos ou fármacos.

Quais os sintomas?
Os sintomas da diabetes podem ter sintomas associados ao aumento dos níveis de açúcar (hiperglicemia) ou à diminuição dos níveis de açúcar (hipoglicemia).
Os sintomas de hiperglicemia são urinar em grande quantidade e mais vezes, ter sede constante e intensa, sensação de boca seca, fome constante e difícil de saciar, visão turva, cansaço, comichão no corpo. Podem acontecer nos diabéticos mal controlados ou quando existe ingestão de uma grande quantidade de açúcar.
Os sintomas de hipoglicemia são o cansaço inexplicável, as tonturas, a visão turva, náuseas, tremores, suores frios, palidez, palpitações cardíacas, ansiedade/ irritabilidade e a dificuldade em raciocinar. Em regra, ocorrem em diabéticos que utilizam insulina ou antidiabéticos orais. Esta condição pode resultar da toma excessiva ou incorreta da medicação, jejum prolongado ou exercício físico inadequado.

Quais os fatores de risco modificáveis e não modificáveis?
Os fatores de risco modificáveis são:
● Hipertensão arterial;
● Obesidade;
● Privação de sono;
● Sedentarismo;
● Tabagismo.
Os fatores de risco não modificáveis são:
● Doenças do pâncreas ou doenças endócrinas;
● História familiar;
● Recém-nascido com peso superior a 4kg;
● Sexo e idade: As mulheres acima dos 45 anos são as mais afetadas pela diabetes.

Quais as complicações?
Podemos dividir as complicações em:
– Microvasculares (lesões dos vasos sanguíneos pequenos): retinopatia (complicação vascular que afeta a retina), nefropatia (alteração nos vasos sanguíneos dos rins, que leva à perda de proteína por meio da urina) e neuropatia (lesão dos nervos ocasionada pela glicemia elevada).
– Macrovasculares (lesões dos vasos sanguíneos grandes): doença coronária, doença cerebral, doença arterial dos membros inferiores e hipertensão arterial
– Alterações de vasos sanguíneos pequenos, grandes e de nervos: pé diabético
– Outras complicações: disfunção sexual, infeções, entre outras.

Como se diagnostica?
Para diagnosticar a diabetes é necessária uma análise dos sintomas e dos fatores de risco. O diagnóstico faz-se através de uma análise ao sangue, através da qual se mede o valor da glicemia (níveis de glicose no sangue).

Como se trata a Diabetes?
O tratamento da diabetes tipo 1 é insulinoterapia (tratamento com insulina) que é administrada por via subcutânea (por baixo da pele). A administração de insulina deve ser feita em conjunto com uma vigilância correta da glicemia e de uma alimentação saudável e prática de exercício físico regular. 
A metformina é o fármaco de primeira linha na diabetes tipo 2. Este tratamento é precedido e/ou acompanhado pela prescrição de implementação de medidas de correção de estilos de vida, como controlo do peso, alteração dos hábitos alimentares e prática de exercício. Também pode ser prescrita insulina nos diabéticos tipo 2, se o tratamento com antidiabéticos orais não for capaz de atingir os objetivos esperados.

Dr.ª Zhanneta Borolis
Dr.ª Mónica Bagueixa

Médicas Especialistas em Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de Mirandela II
Unidade Local de Saúde do Nordeste