AVC – O que deve saber

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma emergência médica, pelo risco de vida e pela incapacidade que pode deixar. O AVC resulta da lesão das células cerebrais, que morrem ou deixam de funcionar normalmente, pela ausência de oxigénio e de nutrientes na sequência de um bloqueio do fluxo de sangue (AVC isquémico) ou porque são inundadas pelo sangue a partir de uma artéria que se rompe (AVC hemorrágico).

É fundamental prevenir o AVC, uma vez que está associado a elevada mortalidade, ocupando o nosso país o primeiro lugar na Europa Ocidental.
Estima-se que uma em cada seis pessoas em todo o mundo terá um AVC e a cada 6 segundos este é responsável pela morte de alguém.
A prevenção primária passa por tentar reduzir o risco de vir a ter um AVC, em indivíduos assintomáticos, enquanto que a prevenção secundária está relacionada com terapêuticas, cujo objetivo é inibir as plaquetas de formarem tromboêmbolos, atuando diretamente ou por regulação dos mecanismos que participam na agregação plaquetária.

Quais são os sintomas de um AVC?
Os sintomas do AVC podem surgir de forma isolada ou em combinação, sendo fáceis de reconhecer, recorrendo à regra dos 3 F’s, da Dociedade Portuguesa do AVC:
- Face - pode ficar assimétrica de uma forma súbita, parecendo um “canto da boca” ou uma das pálpebras estarem descaídos;
- Força - é comum um braço ou uma perna perderem subitamente a força ou ocorrer uma súbita falta de equilíbrio;
- Fala - pode parecer estranha ou incompreensível e o discurso não fazer sentido;

Quais são os fatores de risco para o AVC?
Os fatores de riscos para o AVC podem dividir-se em modificáveis e não modificáveis.
Os fatores de risco modificáveis são:
- Sedentarismo;
- Colesterol elevado;
- Hipertensão arterial;
- Obesidade;
- Diabetes mellitus;
- Tabagismo;
- Alcoolismo;
- Arritmia.

Os fatores de risco não modificáveis são:
- Idade;
- Baixo peso à nascença;
- Género (mais frequente nos homens);
- Raça/etnia (estudos epidemiológicos apoiam a existência de diferença raciais e étnicas no risco de AVC);
- Genética.

Como se faz o diagnóstico do AVC?
O diagnóstico faz-se com base na história clínica e no exame médico. Perante a suspeita de AVC são realizados exames complementares de diagnóstico.

Como se trata o AVC?
No tratamento e prevenção do AVC usam-se os anti-hipertensores, os antiagregantes plaquetários e os anticoagulantes. Estes fármacos melhoram a circulação e garantem um melhor aporte de sangue, oxigénio e nutrientes às células cerebrais. Há casos em que é necessário recorrer à cirurgia para desbloquear uma artéria entupida.

Como se previne a ocorrência de um AVC?
A prevenção do AVC passa por medidas como:
- Cessação tabágica;
- Diminuir o consumo de álcool;
- Realizar uma alimentação saudável;
- Restrição do sal consumido;
- Atividade física regular;
- Controlo (se necessário com medicamentos) da tensão arterial;
- Controlo do colesterol;
- Controlo da diabetes.

O que fazer perante a suspeita de um AVC?
Ligar imediatamente para o 112, explicando tudo o que se está a passar.
Existem tratamentos que podem ser efetuados na fase aguda do AVC isquémico (nomeadamente a fibrinólise e a trombectomia mecânica), pelo que é fundamental os doentes serem encaminhados rapidamente para os locais adequados, através do 112.

Quais as consequências de um AVC?
As consequências variam de pessoa para pessoa e relacionam-se com o tipo de AVC, da área cerebral lesionada, da localização da artéria afetada, do estado de saúde e da atividade antes do AVC.

Qual a recuperação após um AVC?
A recuperação depende da localização e extensão do AVC e do tempo que demorar a ser socorrido.
A fisioterapia e alteração no tipo de vida são fundamentais para a recuperação, embora muitos doentes fiquem com sequelas para toda a vida.

Dra. Mónica Bagueixa
Médica Especialista em Medicina Geral e Familiar
no Centro de Saúde de Miranda do Douro
Unidade Local de Saúde do Nordeste