Amigdalite: conselhos para prevenir e tratar a doença

A amigdalite consiste no processo inflamatório das amígdalas, tipicamente as palatinas, que são duas pequenas estruturas arredondadas que se situam na orofaringe (garganta), uma em cada lado, representando a primeira barreira de proteção contra vírus e bactérias.

Contudo, esta posição vulnerável contribui para que, por vezes, sejam também foco de infeção. A amigdalite aguda é uma das doenças mais comuns na idade pediátrica, sendo responsável por aproximadamente 5% das recorrências aos serviços de saúde.

A causa da inflamação/infeção das amígdalas pode ser vírica (causada por um vírus) ou bacteriana (causada por uma bactéria), sendo que a mais frequentemente encontrada é a causa vírica. É extremamente importante tentar perceber qual a causa da amigdalite, não só pelas manifestações clínicas (sinais e sintomas) que o doente apresenta, como também através de testes laboratoriais (Teste Diagnóstico Antigénico Rápido e/ou Cultura da Orofaringe), pois o tratamento é diferente se for causada por vírus ou bactérias, sendo a chave para uma terapêutica eficaz desta doença.

A amigdalite vírica manifesta-se com os seguintes sintomas: odinofagia (dor de garganta) de início insidioso, conjuntivite, tosse, rinorreia (corrimento nasal), rouquidão, diarreia, úlceras na boca e/ou erupções na pele e mucosas. É mais comum em idades inferiores a 3 anos.

Contrariamente à amigdalite vírica, a amigdalite bacteriana (geralmente causada por Streptococcus do Grupo A) provoca odinofagia intensa de início súbito, febre alta, mal-estar geral, cefaleias (dor de cabeça), náuseas, vómitos e/ou dor abdominal (dor de barriga). Este tipo de amigdalite é mais comum em crianças em idade escolar (entre os 5 e os 15 anos), sendo rara antes dos 3 anos de idade. O pico de incidência ocorre no final do Outono, Inverno e início da Primavera. Apresenta um período de incubação (tempo decorrido entre a exposição à bactéria e a manifestação dos primeiros sintomas de doença) que varia entre 2 a 5 dias.

A transmissão desta infeção ocorre por via respiratória através de gotículas de saliva expelidas pela tosse ou espirro, sendo por isso a contaminação mais fácil em locais fechados.

O tratamento da amigdalite vírica é sintomático, ou seja, o objetivo passa por tratar os sintomas que o doente apresenta, nomeadamente com paracetamol ou ibuprofeno, que proporcionam o alívio da dor e/ou febre. No caso de amigdalite bacteriana o paracetamol ou ibuprofeno estão igualmente indicados, mas neste caso em associação com antibiótico (que atua sobre as bactérias e não sobre os vírus). Neste contexto, perante uma amigdalite nem sempre está indicada a realização de antibiótico, pelo que a população deverá estar consciencializada para a importância de uma avaliação médica, erradicando a auto-medicação com antibióticos, que apresentam, preocupantemente, cada vez mais resistências.

Em determinadas situações, poderá ser necessário recorrer a amigdalectomia (remoção cirúrgica das amígdalas), por exemplo quando as amigdalites são recorrentes (5 a 7 vezes por ano) ou quando o aumento das amígdalas é tão acentuado que dificulta a respiração.

De forma a evitar a transmissão da doença, é fundamental a adoção de medidas de higiene preventivas, tais como lavar bem as mãos e não compartilhar talheres, copos, pratos ou toalhas com pessoas sintomáticas. É recomendado tossir ou espirrar sempre com um lenço à frente da boca ou colocar o antebraço à frente desta, evitar permanecer em lugares fechados, com muitas pessoas, e mudanças súbitas de temperatura.

 

Dra. Fátima Monteiro

Médica Interna em Medicina Geral e Familiar

UCSP Mirandela II

Unidade Local de Saúde do Nordeste