Acidentes – mais vale prevenir que remediar

Os acidentes em Portugal causam, anualmente, um grande número de mortes, deficiências e internamentos hospitalares. Nas crianças, os traumatismos e lesões acidentais constituem a maior causa de morte, doença e incapacidade. Precisamos da sua colaboração para diminuir este flagelo e para, em conjunto, fazermos diariamente a prevenção dos acidentes e a promoção da segurança. De seguida, destacamos, de forma sumária, alguns dos tipos de acidentes graves mais frequentes. Para fazer a promoção da segurança e a prevenção dos acidentes de forma eficaz, é conveniente manter-se informado sobre este assunto.

Crianças

As crianças exigem uma atenção permanente para se evitar que sofram acidentes.

å Na estrada – Muitas crianças morrem ou ficam com deficiência, devido a acidentes de viação, em grande parte por não se utilizarem ou se utilizarem mal os sistemas de retenção (cadeirinhas, cintos de segurança). Os atropelamentos de crianças, em especial dentro das povoações, são também muito frequentes.

å Afogamento – Mesmo com pouca água, uma criança pode morrer afogada em poucos minutos e de forma silenciosa. É indispensável vigiar a criança, esvaziar os baldes e alguidares, vedar tanques de rega, lagos de jardim ou piscinas, cobrir adequadamente os poços.

å Quedas – Basta uma distração de segundos. É muito importante ter sistemas de proteção antiqueda nos locais frequentados por crianças.

å Queimaduras – São muito frequentes, principalmente durante o banho ou quando se cozinha e a criança está junto do fogão.

å Intoxicações – Os detergentes, inseticidas e medicamentes não devem estar ao alcance das crianças. Atenção: nunca utilizar garrafas de água vazias para colocar líquidos cáusticos ou detergentes. Em caso de intoxicação, ligar para o Centro de Informação Antivenenos: 808 250 143.

å Asfixia – Um simples saco de plástico pode ser causa de asfixia de uma criança. A prevenção passa também por ensinar a criança a ter comportamentos seguros.

 

Pessoas idosas

As quedas são responsáveis por cerca de 70% dos acidentes em pessoas idosas e acontecem, na sua grande maioria, no domicílio, seja particular ou em instituição, constituindo uma importante causa de internamento hospitalar e de mortalidade neste grupo etário.

As causas são várias: problemas de visão ou do equilíbrio, doenças (Parkinson, “Trombose”, Artrite) ou fraqueza dos membros inferiores.

Para evitar os acidentes, é necessário corrigir os fatores de risco existentes em casa ou na instituição, nomeadamente, tapetes escorregadios, mobília instável, luz fraca, inexistência de corrimão ou de barras de segurança na casa de banho (banheira), entre outros.

É fundamental também fazer a prevenção das queimaduras (por exemplo, com líquidos quentes), das intoxicações com gás, das feridas incisas com objetos cortantes e dos atropelamentos.

 

Acidentes de viação

As principais causas dos acidentes de viação são bem conhecidas: o excesso de velocidade, o não cumprimento do código da estrada e o consumo de bebidas alcoólicas.

Mas, para além destas, existem outras também muito importantes, como é o caso de:

å Deficiências da acuidade visual não devidamente corrigidas.

å Situações de fadiga, nomeadamente quando se dormiu pouco, se trabalha por turnos ou se conduz durante mais de duas horas sem descansar.

å Consumo de medicamentos suscetíveis de afetar as capacidades de condução. Há determinados medicamentos que podem ser responsáveis por acidentes de viação, por provocarem uma diminuição da atenção, da concentração, dos reflexos, das capacidades visuais, do raciocínio ou da coordenação motora. E, com frequência, as pessoas não se apercebem que têm essas capacidades alteradas.

 

Medicamentos

e condução

å Não tome medicamentos que não tenham sido receitados recentemente pelo seu médico. O que é bom para um amigo ou vizinho pode não ser para si.

å Se tiver dúvidas quanto aos efeitos de um medicamento sobre a condução, informe-se com o seu médico ou farmacêutico.

å Tenha especial cuidado se trabalhar por turnos ou for portador de uma doença crónica.

å Se sentir efeitos secundários (diminuição da concentração, dos reflexos...) que possam afetar a condução, não conduza sem falar com o seu médico.

å Não ingira bebidas alcoólicas quando tomar medicamentos, porque os seus efeitos podem potenciar-se mutuamente.

å Redobre os cuidados se o folheto informativo do medicamento contiver alguns dos seguintes avisos:

• “Este medicamento pode causar sonolência e pode aumentar os efeitos do álcool”.

• “Este medicamento pode afetar a vigilância mental e/ou a coordenação motora”.

 

Para esclarecimento de qualquer dúvida relacionada com a prevenção de acidentes pode informar-se com o seu enfermeiro ou médico ou através do Centro de Contacto do SNS: 808 24 24 24.

 

Fonte:

Direção Geral da Saúde