Ter, 17/04/2007 - 10:49
A situação tem-se registado, nos últimos tempos, nas aldeias de Cércio e Freixiosa, ambas no concelho de Miranda do Douro e na zona fronteiriça.
Os habitantes estão revoltados com o abate desta espécie emblemática do Planalto Mirandês, também conhecida por Niebros, que tem acontecido “à visita de toda a gente” e que é atribuído a um comerciante de madeiras oriundo de Espanha, onde o corte da espécie é proibido por lei.
“Daqui têm saído dois camiões carregados de zimbros por dia e o espanhol paga a madeira a cerca de três cêntimos o quilo, mas não é o valor pelo qual é vendida lá fora”, assegura o octogenário.
Ao que foi possível apurar junto das autoridades policiais espanholas, a madeira e derivados de zimbro têm um elevado valor económico que varia entre os 600 e 800 euros o metro cúbico, sendo na sua maioria comercializada junto da fronteira daquele país com França.
Venda de madeira é um negócio rentável para os comerciantes
Segundo o membro da associação ambientalista ALDEIA, Miguel Nóvoa, a espécie está em vias de extinção e paga-se um valor paisagístico elevado.
“O negócio é uma verdadeira aldrabice para quem vende, porque as empresas espanholas estão a proceder à compra de forma enganosa, valendo-se da falta de formação dos proprietários”, assegura o responsável.
As autoridades policiais dos dois países já estão no terreno no sentido de evitar o corte massivo de zimbros, havendo, mesmo, o conhecimento do levantamento de um auto de contra ordenação a um empresário espanhol do ramo das madeiras.
No entanto, e apesar de não ser proibido em Portugal, o corte individual das árvores “não vai ser permitido, já que se trata de um abate massivo, influenciando desta forma o habitat da região”, adiantou o director do PNDI, Victor Batista.
Recorde-se que a madeira de zimbro é resistente e bastante utilizada na construção civil e artefactos agrícolas. Também a extracção do óleo da resinosa é rentável, já que é muito apreciado pela indústria da cosmética.


