Ter, 27/11/2007 - 10:37
Há muito que a pacatez dos mais velhos se mantém irredutível e silenciosa. Os dias, vagarosos e calmos, parecem trapacear com os relógios dos que vão resistindo na freguesia.
Desertificada e envelhecida, Vinhas, bem como a sua anexa, Castro Roupal, vivem à margem da sua antiguidade. O primeiro documento referente à localidade data de 1258.
No entanto, supõe-se que o povoamento inicial tenha começado alguns séculos antes, com a ocupação Romana, uma vez que existem vestígios arqueológicos e toponímicos dessa época.
Já Castro Roupal remete para a existência de um castrejo lusitano e romano (daí o seu primeiro nome), enquanto que o segundo topónimo aponta, através do nome pessoal Rouparius, para um povoamento germânico na freguesia. Segundo o abade de Miragaia, Pinho Leal, na obra Portugal Antigo e Moderno, nesta localidade teria existido um castelo antiquíssimo do tempo dos romanos, do qual resta, apenas, uma torre, actualmente integrada no templo local.
A par de alguns vestígios, a freguesia orgulha-se da igreja matriz, que é tida como uma das mais invulgares na região e um dos mais belos exemplares barrocos. Trata-se de um monumento que já existiria antes do século XIII, do qual não restam vestígios arqueológicos ou escritos. Já o templo, como se conhece actualmente, foi construído em meados do século XVIII, por volta de 1760.
Conclusão de arruamentos e alargamento dos cemitérios são obras fundamentais na freguesia
Com a falta de investimentos e fixação de pessoas, o presidente da Junta de Freguesia de Vinhas (JFV), António Gomes, adianta que as obras mais urgentes são os arruamentos e o alargamento dos dois cemitérios da freguesia. “Com o envelhecimento das pessoas é importante termos espaços dignos, com dimensões suficientes para as necessidades que vão surgindo, sublinhou o autarca.
Contudo, o maior problema das aldeias é, na óptica do responsável, a falta de investimentos e de emprego. “Somos um ponto de passagem, mas em vez de tirarmos proveitos disso, só temos perdido”, lamenta o presidente da JFV.
Com a desertificação e envelhecimento da população, até as tradições mais conhecidas e as associações locais têm desaparecido, como a Banda de Latos, Rancho Folclórico ou, mesmo, a equipa de futebol. “Não há pessoas para darem continuidade a este tipo de iniciativas. Até a afluência à igreja tem diminuído”, salienta António Gomes.


