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A última fábrica de hóstias

Ter, 04/12/2007 - 10:25


Um quadro do Sagrado Coração de Jesus abençoa o trabalho efectuado pelas Irmãs Arminda e Providência na fábrica das hóstias da Casa de Santa Clara, em Bragança.

O relógio marca as 10:30 horas, num ambiente onde a calma contrasta com a agitação da labuta e com o barulho dos ferros, que transformam pedaços de massa no “Corpo de Cristo” que é distribuído aos fiéis.
A Casa de Santa Clara guarda a última fábrica de produção de hóstias do distrito. É daqui que sai o pão que, depois de ser abençoado nas diversas paróquias do Nordeste Transmontano, alimenta a alma dos fiéis.
Depois de mais de 14 anos de trabalho na Casa Nossa Senhora de Fátima, em Macedo de Cavaleiros, a irmã Arminda Moreira está na capital de distrito há cerca de três anos, altura em que a fábrica foi transferida para a Casa de Santa Clara.
“Lá o espaço era pequenino e aqui temos melhores condições”, explica a religiosa, acrescentando que sempre se dedicou à produção de hóstias.
Durante um mês, as Irmãs confeccionam mais de 70 mil hóstias, que são distribuídas pelas dioceses de Bragança e Vila Real. “Mandamos cerca de 40 mil hóstias em cada quinzena para Chaves, onde temos uma livraria da congregação. As restantes ficam na Diocese de Bragança-Miranda”, realça Arminda Moreira.
De formato redondo, as hóstias são cortadas em dois tamanhos distintos. “As maiores são para os senhores padres tomarem na hora da comunhão e as mais pequenas são para alimentar os fiéis”, acrescenta a religiosa.

Freiras não têm mãos a medir para conseguirem satisfazer as encomendas

Durante toda a semana, as Irmãs Arminda e Providência não têm mãos a medir para conseguirem satisfazer as encomendas. Por isso, nada pode falhar.
“Se as máquinas avariarem, tal como já nos aconteceu uma vez, é um problema, porque a produção atrasa-se. Mas isso é muito raro acontecer…”, remata.
A graça divina acompanha o trabalho das freiras, que pedem sempre ajuda a Deus e agradecem depois de um dia de trabalho. “Sagrado coração de Jesus, eu tenho confiança em Vós”, reza Arminda Moreira.
Por sua vez, a Irmã Providência, com o cansaço da idade estampado no rosto, desabafa: “Tudo se faz com a Graça de Deus”.
É na eucaristia que o pão ganha o significado religioso aspirado por todos os fiéis. “Depois da elevação é que se transforma no corpo e sangue de Cristo”, enaltece.
É com orgulho que as Irmãs olham para o trabalho final e a emoção toma conta dos seus corações quando assistem à comunhão dos cristãos. “É um trabalho bonito, que vale a pena fazer com muito amor. Para mim, é uma gratidão muito grande saber que as hóstias feitas por nós vão salvar muitas almas”, conclui Arminda Moreira.