Ter, 15/05/2007 - 10:28
Na óptica de Susana, trabalhar o alumínio é uma tarefa fácil, desde que se tenha gosto pela arte. “Comecei a pôr dobradiças, mas agora já faço um pouco de tudo, desde cortar a chapa, a montar as portas e janelas”, explica.
Apesar de ter que conciliar a profissão com as tarefas domésticas e a educação do filho, de seis anos, Susana Rocha afirma que gosta daquilo faz. “No futuro não me imagino a fazer outra coisa”, acrescenta.
A maioria das pessoas que visitam a serralharia Rui Filipe Pires, em Bragança, ficam admiradas quando vêem a jovem serralheira a fazer portas e janelas, mas acabam por confiar no trabalho feito por uma mulher.
“Já ouvi vários comentários, como por exemplo ‘também trabalha nisto?’. Mas nunca ninguém disse que não queria um trabalho feito por mim, porque sabem que a pessoa que me ensina é um bom profissional”, realça Susana Rocha.
Sem experiência na arte, a profissão do marido sempre lhe suscitou curiosidade e era quando Rui Filipe se ausentava que Susana arriscava fazer alguns trabalhos.
Esforço físico não é um obstáculo para a jovem serralheira, que se orgulha da sua profissão
“Primeiro fui vendo como é que o Rui fazia. Depois, quando ele saía, fui experimentado e as coisas davam certo, a partir daí fui aperfeiçoando e aprendendo a fazer mais coisas”, conta a serralheira.
Susana Rocha afirma que não precisou de muitos ensinamentos e, actualmente, garante que não tem receio de trabalhar ao pé de ajudantes de serralheiros do sexo masculino.
“Eu sei chegar a uma obra e ver se o trabalho está ou não bem feito”, acrescenta.
Também são as deslocações às obras que se revelam mais cansativas para a serralheira, que se orgulha em acompanhar o marido a carregar e descarregar o material.
Apresentando-se como uma mulher dinâmica, Susana afirma que nunca lhe passou pela cabeça estar um dia inteiro fechada num escritório a “puxar pela cabeça”.
“Quando era mais nova gostava de ser professora de ginástica ou cabeleireira. Por isso, até gosto de andar de um lado para o outro e não me importo de fazer esforço físico”, salienta, acrescentando que não sente quaisquer dificuldades no exercício da profissão.


