Qua, 06/02/2008 - 10:25
Carlos Almeida, um dos artesãos que concebeu aquela que poderá ser a maior sela do mundo, confessa que quando foi desafiado para fazer esta peça pensou ser impossível. “Foi complicado encontrarmos o pano para a forrar e a palha para a encher teve que ser emendada. Por isso, inicialmente, não acreditava que conseguíssemos fazer uma sela tão grande”, explica o artesão.
Com a ajuda e o ânimo de Manuel Nogueira, carteiro de profissão e artesão nos tempos livres, Carlos Almeida pôs mãos à obra e, quatro dias antes do Carnaval, entregaram a sela gigante à Junta de Freguesia da Torre (JFT).
“Estou muito contente por termos conseguido fazer a peça com perfeição e estou convencido que vamos conseguir o recorde mundial, porque é mesmo uma coisa fora do vulgar”, enaltece Carlos Almeida.
Manuel Nogueira também partilha o sentimento de satisfação com o colega. “É com orgulho e satisfação que olho para a maior sela do mundo. Se fosse hoje acho que conseguíamos fazer uma ainda maior”, afirma com um sorriso no rosto.
A experiência alcançada durante os vários anos de experiência na arte foi preciosa para conceber esta peça, que caracteriza uma das actividades artesanais mais antigas da Torre. “Antigamente havia cá muitos albardeiros, que vendiam as suas peças para todo o distrito e, até, para outros pontos do País”, enaltece a presidente da JFT, Paula Lopes.
Artesãos acreditam que a sela gigante vai entrar para o livro dos recordes mundiais
Para fazer a sela gigante, Carlos e Manuel trabalharam durante cerca de 100 horas, numa tarefa que incluiu alguns imprevistos e improvisos. “Quando a estávamos a encher ainda fiquei debaixo dela. Mas depois o trabalho começou a ganhar forma e foi só cozer o pano e o tecido de pele”, realça Manuel Nogueira.
Com cerca de 150 quilos, a sela gigante vai ter que desfilar em cima de uma carrinha, visto que não há nenhum animal que aguente um objecto com estas proporções. “Levou 32 molhos de palha, o que não é brincadeira”, acrescenta o artesão.
A autarca local salienta que esta ideia surgiu da necessidade de valorizar e promover o artesanato da Torre, visto que ainda é uma actividade viva na terra. “Achámos que era uma forma de dar a conhecer e valorizar o trabalho dos nossos artesãos, uma vez que a sela albardada e as albardas são objectos com pouca venda”, frisa a responsável.
Apesar da albarda ser um artigo mais conhecido, Paula Lopes explica que optaram pela sela albardada por sugestão do Guiness, uma vez que o termo albarda tem um carácter mais regionalista.
Este ano, os carros alegóricos são alusivos aos diferentes tipos de artesanato, mas a sela gigante é mesmo a estrela do desfile que vai percorrer as principais ruas da vila.
Agora, o Guiness vai avaliar as medidas da sela e decidir se a peça gigante concebida na Torre entra para o livro dos recordes mundiais.


