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SAP (e) gato!

Ter, 27/03/2007 - 15:32


Quando alguém pretende enxotar um gato mais incomodativo é costume dizer “sape gato”. No caso dos Serviços de Atendimento Permanente que serão encerrados a partir de 25 de Abril próximo, é o ministro da Saúde, Correia de Campos que diz “sape”, não ao gato, mas aos SAP, precisamente.

Comecemos pela data escolhida para banir do mapa os serviços em cinco concelhos do distrito de Bragança. No dia em que se comemora a Liberdade (que também quer dizer Igualdade de Oportunidades) eis que Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alfândega da Fé, Vimioso e Freixo de Espada à Cinta ficarão sem o SAP, segundo uma lista avançada pela TVI durante o fim-de-semana, que até poderá estar incompleta.
A confirmar-se, continuaremos a ver ambulâncias e veículos de transporte de doentes a calcorrear as estradas do distrito, rumo às urgências que vão sobrevivendo aos cortes do ministro. Os bombeiros estão conscientes do que vai acontecer e ontem reuniram para debater o futuro. Sabem que são as corporações que, a par dos doentes, pagarão a factura da redução do défice, à custa do emagrecimento do que é serviço público e social. Sabem que os parques de viaturas acusarão mais desgaste, sabem que gastarão mais combustível e que terão de afectar mais recursos humanos ao transporte de doentes. Só desconhecem porque razão os SAP encerram antes do reforço de meios, nomeadamente aéreos, para vencer as distâncias com maior rapidez.
Ora, mas nem para todos há más notícias. Nas cidades e vilas a quem Correia de Campos retirou urgências e maternidades, há investidores privados e Misericórdias preparados para criarem maternidades e serviços de atendimento permanente.
E, quem tiver algum olho para o negócio, que aposte em táxis e 9 lugares, empresas de ambulâncias ou serviços de transporte de doentes, porque muitos serão os quilómetros a percorrer até chegar a uma consulta de urgência.
Centenas de pessoas ficarão ser atendimento urgente à beira e alguém terá de assegurar o transporte para os hospitais distritais ou centros de saúde, seja de noite ou de dia.
Deste modo, os transmontanos que optaram por ficar na região para não ter que enfrentar horas de metro ou autocarro nos grandes centros, terão pela frente algumas horas de ambulância. Só que neste “meio de transporte” nem sequer dá para ler um jornal ou revista como em qualquer comboio suburbano…
Apetece dizer: “sap (e)” senhor ministro!