Ter, 30/01/2007 - 14:38
O declive atinge os 16 por cento, situação que já levou a Câmara Municipal de Vimioso (CMV) a avisar os automobilistas. Nas entradas da via, a autarquia colocou placas em que se pode ler “inclinação muito acentuada”.
Desta forma, os condutores ficam logo a saber que vão circular naquela que deverá ser a estrada mais inclinada do Nordeste Transmontano, onde todo o cuidado é pouco.
“Como as pessoas abusam um pouco na estrada, achámos melhor alertar os condutores, até porque esta via como tem um pouco mais de inclinação”, justificou o presidente da CMV, José Rodrigues.
O edil explica o declive com a impossibilidade de construir uma ponte sobre o rio Maçãs a uma cota superior, o que resultou num traçado sinuoso até atravessar este curso de água. “A autarquia não tinha dinheiro para executar outro tipo de obra, a fim de evitar esta acentuação”, defendeu o edil.
Recorde-se que a estrada entre Algoso e Matela tinha outro traçado, que chegou a ser posto a concurso público.
Apesar do declive, não há registo de acidentes na nova ligação, que os autarcas dizem ser muito utilizada
A CMV, contudo, decidiu alterar os planos e apostou num corredor que abrange, também, a aldeia de Avinhó. A alteração ao projecto não foi visada pelo Tribunal de Contas, o que valeu ao executivo camarário a condenação ao pagamento duma coima de 6 mil euros. Mas, como o traçado inicial era comparticipado por fundos comunitários, a também autarquia foi obrigada a devolver a Bruxelas o apoio da União Europeia, qualquer coisa como 400 mil euros.
Apesar de polémica, os presidentes das Juntas de Freguesia de Matela (JFM) e de Algoso sublinham que a via trouxe muitas vantagens para os cidadãos. “Os nossos habitantes mostram-se bastante satisfeitos com a estrada e o antigo traçado iria danificar-lhes muitos campos agrícolas e terrenos com sobreiros”, explicou o autarca de Algoso, Luís Fernandes.
O presidente da JFM, César Rodrigues, alinha pelo mesmo diapasão. “O projecto anterior era inconcebível e causaria bastante impacto, pelo que o actual é mais favorável”, alega o responsável.
Ao que o Jornal NORDESTE conseguiu apurar junto das autoridades, não há registo de acidentes na nova ligação Matela-Algoso, que reduziu em 30 quilómetros a distância entre as duas localidades.