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Rebordaínhos, Serra da Nogueira e Montesinho

Qua, 02/05/2007 - 11:41


A exemplo do projecto turístico a levar a cabo em Rebordaínhos que prevê uma série de infra estruturas interessantes e de efectiva qualidade para além de um hotel de luxo (que efectivamente se realize é o que sinceramente desejo) e porque o que temos de melhor é a nossa paisagem, avanço com mais uma ideia, e apenas isso, sobre uma forma de tirar partido dessa mais valia, felizmente ainda mais ou menos preservada.

Na serra da Nogueira, para além de ali se encontrar o Santuário de Nossa Senhora da Serra que todos os anos congrega milhares de pessoas no fim do Verão e das excepcionais condições para a captação de energia eólica, é possuidora de uma grande riqueza: a paisagem e o ambiente.
Por essa razão, podemos e devemos providenciar para que também o turismo possa ter ali lugar e ser uma mais valia para a região e para todos os seus habitantes.
Há muitas maneiras de o fazer sem agredir ambientalmente o espaço. A ideia seria construir pequenas casas térreas com dois quartos no máximo, feitas com materiais naturais como madeiras, cantaria e lousa e utilizando energias alternativas e não poluentes, a exemplo do que já se faz há muitos anos no norte da Europa ou nas regiões mais frias da América do Norte.
A natureza será uma mais valia e não um empecilho. Os arquitectos estão cada vez mais preparados para resolver este tipo de problemas, integrando na paisagem, de uma maneira quase invisível, as pequenas construções. O conforto é condição sine qua non para quem procura este tipo de turismo. São cada vez mais as pessoas, principalmente estrangeiros, que buscam a tranquilidade e o sossego que estes locais quase mágicos podem oferecer.
O número de unidades de alojamento será definido de maneira a provocar o menor impacto ambiental possível. O apoio logístico necessário terá de ser, obrigatoriamente, de qualidade, assim como todas as instalações e artefactos necessários ao bom funcionamento da estrutura turística.
Também em Montesinho, para além do aproveitamento e reconstrução das casas do parque, neste momento abandonadas, pode-se proceder da mesma forma que para a Serra da Nogueira e construir ainda, um hotel de charme com apenas dois andares. O espaço escolhido para a implantação do empreendimento seria próximo da barragem de Serra Serrada.
Antes que os ambientalistas venham apontar as consequências do impacto ambiental, podemos avançar com exemplos do género no estrangeiro e também no nosso país, veja-se o Azibo e a Serra da Estrela. Claro está que os acessos terão de ser melhorados para permitirem que qualquer veículo ali possa circular e não apenas os todo terreno.
Também o turismo de aldeia deve ser implementado e consolidado aproveitando as melhores casas, restauradas e preparadas para oferecer a nossa tipicidade sem nunca descurar o conforto exigido por todos nós e pelos turistas que nos visitam. Neste sentido é necessário criar incentivos e apoios governamentais que permitam que essa qualidade se possa manter durante todo o tempo, independentemente da estação em que se esteja.
O homem pode conviver sãmente com a natureza desde que se tomem os cuidados necessários para a proteger.
Podemos e devemos tirar partido do que Deus nos deu sem o destruir. É tempo de usufruir do nosso Parque Natural de Montesinho sem ficar com um peso na consciência. Isso exigirá regras muito restritas e rigorosas de modo a que nada interfira com o normal desenvolvimento da flora e da fauna naturais e, em alguns casos, únicas na região e no país.
Todos sabemos que tecnicamente é perfeitamente possível realizar este tipo de empreendimentos que só valorizarão este espaço e que se tornará desse modo, uma verdadeira e efectiva mais valia para todos nós.
É tempo de agir e não de esperar que as coisas aconteçam. A culpa do que de bom ou mau nos acontece também é nossa e não apenas do poder central. Devemos ser nós a construir o nosso futuro, pois longe vão os tempos em que ele se fazia quase sozinho.

Marcolino Cepeda