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Qual rato?

Ter, 20/03/2007 - 11:40


Afinal de contas, não se devem ao famoso rato de Cabrera os sucessivos adiamentos na construção duma nova estrada entre Outeiro e Vimioso. A questão não é nova, pois há cerca de 10 anos que se sabe que os traçados propostos pela Junta Autónoma de Estradas, hoje Estradas de Portugal, não conseguem agradar aos autarcas e populações de Argozelo e Carção, duas das mais populosas freguesias do concelho de Vimioso.

Os habitantes de ambas as localidades entendem que a nova ligação deve passar junto das localidades, de modo a facilitar as deslocações a Bragança à sede do município.
As Estradas de Portugal, contudo, consideram que o objectivo da via não é ligar freguesias entre si, mas proporcionar deslocações rápidas entre Vimioso, o IP4 e Bragança.
Por isso, a última proposta da empresa contempla uma estrada em zona de planalto, mais rápida e mais recta, com variantes em Argozelo e Pinelo. Carção fica de fora deste traçado, pois as Estradas de Portugal entendem que a beneficiação da EN 218, possibilita uma viagem rápida e segura até Argozelo (a escassos 6 quilómetros), de modo a “apanhar” a nova estrada “Outeiro-Vimioso.
No meio desta guerra surda, eis que surge um ratinho que já correu tudo o que é rádios, televisões ou jornais. Trata-se duma espécie protegida, de facto, mas que, por si só, não é suficiente para travar o avanço duma estrada, mesmo que seja num dos concelhos mais desertificados do País.
Os técnicos não têm dúvidas quanto às formas de diminuir os impactes ambientais e salvaguardar as colónias de roedores, de modo viabilizar a obra.
O que os técnicos não conseguem fazer, certamente, é criar mecanismos para que as “guerras de capelas” não ponham em causa uma estrada que há muito deveria estar construída.
O rato de Cabrera “foi ridicularizado”, consideram, e bem, os especialistas. O pior é que, a par do roedor, toda a região foi votada ao ridículo, mesmo durante a visita a Vimioso do Presidente da República, Cavaco Silva. “É um rato de peso”, ironizou o Chefe de Estado, farto de saber que existem mil e uma formas de ultrapassar o problema. Aliás, se não fosse assim, como teria a auto-estrada do Norte rasgado a Serra d´Aires, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro?