Ter, 29/05/2007 - 10:49
Este projecto, de algum modo, é a continuação da sua profissão, que a ocupa enquanto directora e, também, como aluna, na área do Inglês e Danças de Salão. “Como trabalhei a minha vida toda e viajava por todo o distrito, não queria parar de um momento para o outro, pelo que esta é uma forma de continuar ligada ao ensino e ocupar o meu tempo”, informou a directora da US.
Nascida em Mogadouro, Clementina Pires seguiu a carreira de docente após a morte precoce do seu pai. “Como era a mais velha de sete irmãos, a minha mãe achou que eu devia tirar um curso rápido, porque se tivesse algum problema, eu poderia ajudar os meus irmãos”, recorda. Contudo, o seu verdadeiro sonho era seguir a área de Economia, que frequentou até ao antigo sétimo ano. No entanto, sublinha que sempre se sentiu realizada a ensinar, sobretudo os adultos. “Comecei a dar aulas a crianças, mas como o meu sonho nunca foi ser professora, quando surgiu a oportunidade de leccionar a adultos, aceitei de bom grado”, confessou Clementina Pires.
Para a docente, dar aulas aos mais pequenos é mais fácil, porque são, de algum modo, obrigados a frequentar a escola. Já os adultos têm objectivos diferentes, pelo que o formador precisa de ter outro tipo de capacidades específicas para conseguir lidar com os alunos. “É muito gratificante dar aulas aos mais velhos, porque é uma verdadeira troca de experiências e conhecimentos”, realça Clementina Pires.
Universidade Sénior conta com 117 alunos, passado um ano da sua criação,
Estar ligada à US representa a continuação do “saber fazer” de uma vida dedicada ao ensino, pelo que a directora garante que quer continuar “ao lado deste projecto, que é muito útil para a sociedade”.
Nascida em Janeiro de 2006, a US arrancou com dez alunos matriculados, um número que aumentou, passados 15 dias, para 108. “Este projecto veio tirar algumas pessoas da solidão, uma vez que encontraram novas formas de comunicarem e conviverem”, sublinhou a responsável. Com alunos entre os 30 e 80 anos, a US integra pessoas de todos os estratos sociais e habilitações literárias. “Se alguém quiser completar o quarto ano, também pode frequentar a universidade”, informou a professora. Divididas por diversas áreas, as aulas mais concorridas são as de Inglês, Informática e Música.
Além do ensino, a US promove, ao longo de todo ano, diversas iniciativas, como o rastreio de glicemia e densitómetria óssea, que decorreu, no passado sábado, no auditório Paulo Quintela, em Bragança, no âmbito da disciplina Saúde e Qualidade de Vida. “É essencial que os nossos alunos, bem como a sociedade em geral, efectuem exames regularmente”, explicou Clementina Pires.
A iniciativa contou, ainda, com um colóquio sob o tema “Saúde na Idade Sénior”, que contou com a presença do director do serviço de Endocrinologia do Hospital de São João, no Porto, e presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, José luís Medina.



