Ter, 05/06/2007 - 10:05
Harbans Singh, indiano sikh que funciona como tradutor das duas comunidades, dada a semelhança linguística entre paquistaneses e indianos, garante que, em breve, o Português passará a ser a língua franca. Vontade, pelo menos, não lhe falta. “De momento, estou disposto a aprender Português, já que o futuro pode passar pela criação de um pequeno negócio na região, para o qual é fundamental a aprendizagem da língua”, declarou ao NORDESTE o imigrante indiano. Outro dos seus objectivos é aprender o hino nacional, cuja melodia já entoa.
Do outro lado da sala está o paquistanês Ali Liaqat, que reitera as palavras do vizinho indiano. E garante sentir-se integrado, embora expectante em relação ao futuro, o qual lhe parece, todavia, risonho “Portugal é um país acolhedor”, assegura, sorridente.
Casal de chineses prefere aprender primeiro os números para comunicar com a clientela
Se a língua franca de ambos passará a ser o Português, Mogadouro será a nova pátria. E tanto para Singh como para Liaqat, a guerra que arde em Caxemira, território fronteiriço disputado por Islamabade e Nova Deli, é parte do passado. De resto, no quotidiano imperam antes o convívio e a amizade. “É tudo uma questão de mentalidade”, assegura Liaqat. Claro que os laços de amizade entretanto criados não iludem diferenças que saltam à vista, como é caso da alimentação e a prática do culto de cada uma das comunidades.
Integra ainda o grupo de estudantes do Português um jovem casal de origem chinesa, um pouco mais reservado, já que a língua de Camões é, ainda, uma novidade. Contudo, para Chen Xiaoya, a sua linguagem são os números, já que é proprietária de uma loja e os algarismos são, para já, a única forma de comunicar com a clientela. As letras virão depois.
Ao que se sabe, está prevista a chegada a Mogadouro de mais imigrantes paquistaneses e indianos, pelo que o executivo municipal e o IEFP já se mostraram dispostos a continuar com o programa Portugal Acolhe. “É um primeiro passo para melhorar a integração social e profissional dos imigrantes”, sublinhou o vice-presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, João Henriques.



