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Pinelo cria Confraria do Butelo e Cascas

Ter, 19/02/2008 - 10:44


As capas castanhas sobre os ombros distinguem os sete membros da Confraria do Butelo e Cascas, fundada no passado dia 3 em Pinelo, concelho de Vimioso.

Criada pelo Centro Cultural e Recreativo local (CCRP), uma vez que este prato e é bastante apreciado naquela freguesia, a Confraria visa, essencialmente, dar a conhecer os produtos regionais e a própria aldeia. “Queremos que esta Confraria chegue além da nossa região e gostaríamos de levar este prato tão típico além fronteiras”, explicou a presidente da CCRP, Francisca Pires.
Apesar de ter sido criada há menos de um mês, os responsáveis já foram contactados por interessados em conhecer e provar o típico prato de butelo e cascas. Para servir os turistas e visitantes, Pinelo conta com uma cozinha regional que vende todo o tipo de fumeiro e cascas, entre outros produtos tradicionais.
Recorde-se que o CCRP tem cerca de 100 associados e “sobrevive” às custas das quotas dos sócios, doações e peditórios realizados pelos seus membros.
Anualmente, esta colectividade organiza diversos eventos, como uma viagem, a noite da Passagem de Ano, Dia dos Reis, almoços e jantares de convívio, apoiando ainda actividades e iniciativas desportivas, como os torneios de Futsal no Verão.

A aldeia é conhecida pelas suas tradições ligadas ao casamento

Em Pinelo, ainda há pessoas que preparavam tremoços para saber que sorte lhes reservaria o casamento. Segundo se conta, os tremoços bem curados faziam um casal feliz, enquanto os que “amargavam” significavam que os noivos “se iam dar mal”. Assim, antes de se iniciar a refeição, e de modo a desvendar o destino dos recém-casados, davam-se a provar os tremoços aos convidados e dizia-se: “Ide-vos dar bem ou ide-vos dar mal”, conforme estivessem bem ou mal curados.
“Acho que o meu casamento foi dos últimos a incluir esta tradição e diz-se que se amargarem é sinal que os noivos não se vão dar bem”, explicou Maria Pires, residente em Pinelo.
Já Luís Gonçalves, outro habitante local, acrescentou que “os de fora tinham que pagar o vinho ou eram atirados para o tanque, porque os da terra já sabiam o que tinham que fazer”.
Sendo uma das freguesias mais antigas do concelho de Vimioso, Pinelo guarda diversos vestígios arqueológicos, como uma lápide funerária de granito descoberta em 1935, no sítio do Lagoaço. Na sepultura, onde está enterrado um homem chamado Amor, que morreu aos 22 anos, pode ler-se “AMOR/XXII/HSE”. No mesmo local foram, também, descobertos objectos utilizados diariamente, como cadeado de cozinha, uma moeda em cobre, bem como vários fragmentos cerâmicos.