Ter, 19/02/2008 - 10:27
Este é o papel dos voluntários do Centro Hospitalar de Bragança (CHNE) que dedicam parte do seu tempo a arrancar sorrisos de quem se encontra fragilizado pela doença e, muitas vezes, sem o apoio da família.
Todos os dias, as “batas amarelas” calcorreiam os serviços da Unidade Hospitalar de Bragança para satisfazer os pedidos daqueles que mais precisam ou, simplesmente, para darem uma palavra de ânimo e coragem a quem anseia deixar a cama do hospital.
Maria Isabel Barata, de 80 anos, é uma das voluntárias mais antigas do CHNE e continua com forças para dizer “palavras bonitas” a quem se sente atraiçoado pela doença. “O que mais nos pedem é para conversar. Muitos utentes são carenciados e padecem de solidão, porque os familiares são de longe e precisam de uma palavrinha de apoio”, conta emocionada.
Dois dias por semana, Albertina Fernandes também percorre os corredores do Hospital de Bragança, onde distribui leite, café e bolachas na Consulta Externa e visita os utentes internados em diferentes serviços. Fá-lo há 18 anos. “Há muitas pessoas das aldeias que vêm muito cedo no autocarro e precisam de comer a meio da manhã. Por isso, é gratificante para nós sentirmos que estamos a ajudar essas pessoas”, desabafa a voluntária.
Jacinta Brás, de 63 anos, segue os passos da colega há 15 anos e diz que o voluntariado já faz parte da sua vida. “Se não venho já não me sinto bem. É tão bom vir e saber que tenho aqui pessoas à minha espera”, confessa.
As histórias repetem-se. Um simples telefonema para a família ou uma boleia para casa depois da alta hospitalar são pequenos gestos que têm um enorme significado para quem precisa de um ombro amigo. “Já me aconteceu pagar sandes a pessoas, porque já tinha entregue o carrinho. O que importa é que elas fiquem bem”, frisa Jacinta Brás.
Voluntários disponibilizam tempo para ajudar os outros sem pedir nada em troca
A dor e azáfama nos corredores do hospital contrastam com o sentimento das “batas amarelas”, que espalham amor, amizade e palavras de conforto aos mais fragilizados.
“Tenho o meu marido doente, mas quando penso deixar o voluntariado para ter mais tempo para ele parece que me falta alguma coisa. Por isso, optei por não entregar a bata e continuar a dar um pouco de mim a estes doentes”, confessa a voluntária de 63 anos.
Dar sem pedir nada em troca é o lema das “batas amarelas”. “Fazemos aqui muitos amigos. Amigos que ficam para sempre”, enfatiza Albertina Fernandes.
No Dia Mundial do Doente, assinalado no passado dia 11, coube aos voluntários entregar uma flor, um brinquedo e uma palavra de consolo a todos os utentes internados nos diversos serviços do Hospital de Bragança.


