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Páscoa à moda de Parada

Ter, 03/04/2007 - 10:17


No sábado de Aleluia, que antecede o domingo de Páscoa, os rapazes de Parada (de Infanções), no concelho de Bragança, percorrem os campos da aldeia em busca de lenha “sem dono”. Antes, os jovens “requisitavam” carros de bois, que hoje foram substituídos pelos tractores, que enchem com a madeira roubada dos terrenos da localidade, para levar, mais tarde, para o adro da igreja.

“Os rapazes trazem a lenha sem se importarem de quem é”, explicou o presidente da Junta de Freguesia de Parada (JFP), António Pires.
O sino da igreja começa a tocar à meia-noite em ponto, altura em que é ateado o fogo à lenha. “A fogueira só é acesa quando começa o dia de Páscoa”, informou o autarca.
Os rapazes reúnem-se à volta do “lume”, que fica a arder toda a noite. “Para passarem melhor o tempo trazem garrafões com vinho e por ali ficam a noite”, adiantou António Pires.
Antigamente, apenas os rapazes participavam nesta tradição. Contudo, com o passar dos anos, passou a ser possível ver raparigas reunidas à volta da fogueira.
Recorde-se que na maioria das aldeias da região a fogueira é acesa na época natalícia, enquanto que, em Parada, a tradição realiza-se na Páscoa.

Mulheres que são avós, pela primeira vez, são “serradas” por padres e acólitos

Parada assiste também, a meio do período da Quaresma, à tradição da Serra das Velhas, que tem como principal objectivo homenagear as mulheres que, nesse ano, foram avós pela primeira vez.
Assim, alguns populares trajam-se de padres ou acólitos e encaminham-se, já noite dentro, para as casas das avós que vão ser “serradas”. Os “sacerdotes”, que podem ser homens solteiros ou casados, transportam consigo os livros “sagrados”, por onde vão recitar os ofícios e versos elaborados conforme o estatuto de cada avó, “lamentando” o nascimento da criança com expressões de vários géneros. Por sua vez, os acólitos, rapazes mais novos, serram paus, tocam chocalhos e “choram” as lágrimas dos netos abandonados, de modo a assegurar que o ambiente seja adequado à tradição.
A acção, antes de passarem à casa da avó seguinte, termina com um “banquete” recheado de bebidas, bolos e doces.
Antigamente, “serravam-se”, apenas, as mulheres que tinham sido avós pela primeira vez naquele ano. E, mesmo, quando se casavam noutra localidade, o cortejo deslocava-se até lá para a “serrar”. Actualmente, devido à diminuição de nascimentos, pode cantar-se à mesma avó mais do que uma vez, o que contribuiu para a mudança dos versos e para a preservação da tradição.