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Para velhos Factos, novos Argumentos

Ter, 12/02/2008 - 10:37


Trás-os-Montes e Alto Douro é sem dúvida uma região singular, heterogénea e de claros contrastes. É uma terra de paixões, de trabalho, esforço e sacrifícios. É um Reino Maravilhoso, como nos diz Miguel Torga. E só quem cá vive ou quem nos visita atentamente nestes dias gélidos de Inverno se apercebe das profundas palavras do poeta. No entanto apesar da extrema beleza e robustez esta região debate-se com sérios problemas de sustentabilidade. As últimas quase cinco décadas foram de profundas transformações a todos os níveis: sociais; económicas; demográficas e culturais. A herança destes cinquenta anos é muito pesada, séria e com perspectivas cinzentas para as gerações vindouras.

A dinâmica de esvaziamento e envelhecimento populacional verificados ao longo destes anos é assustador e sombrio. E o que acontecerá à região nos próximos 30 anos? O que acontecerá às aldeias e vilas de Trás-os-Montes e Alto Douro? Assistiremos ao agravamento ou à esperada inversão das tendências verificadas? A resposta a estas questões é de difícil resposta, como deve imaginar o leitor. E as dificuldades acentuam-se também porque não podemos apenas olhar para a nossa região de forma isolada. Muito pelo contrário temos de nos inserir num espaço nacional e europeu que enfrenta uma série de desafios e múltiplos factores internos e externos que condicionarão a evolução da região.
Por esse motivo é necessário identificar as principais chaves que impulsionarão a evolução da região nas próximas décadas, e acima de tudo terão os decisores políticos que as conhecer muito bem para que as possam desenhar e implementar.
Um grupo de investigação Europeu elaborou no ano de 2007 uma série de cenários e os seus impactos nas regiões europeias ao nível do seu desenvolvimento e dos seus desafios estruturais e como se traduzem nas grandes áreas da União Europeia num espaço temporal até 2030.
Um dos cenários sublinhados por esta organização é a contínua imigração das populações jovens das regiões periféricas e rurais para as grandes áreas metropolitanas, defendem ainda que as regiões costeiras do sul da Europa e o seu interior serão transformadas em zonas atractivas para residência de reformados. Teremos assim um maior contraste entre as áreas metropolitanas e não metropolitanas.
Este é sem dúvida um cenário que não podemos deixar de ter em conta no desenvolvimento futuro desta região. O que implica um trabalho ainda mais vincado para conseguirem vencer a batalha contra o círculo vicioso do declínio e da pobreza.
Sabemos também que nos últimos anos os sucessivos governos da nação tem-se preocupado demasiado com a diminuição do défice público, o que os faz apenas ver os números num sentido economicista da realidade.
Somos sem dúvida uma região desprezada e muitas vezes esquecida, mas não podemos continuar com a velha atitude de pedir ao Governo que trabalhe por nós e invista nesta região. Os nossos autarcas não se podem deixar levar pela emoção sempre que um governante visita a nossa região, e passarem o tempo a pedinchar o exequível e o não exequível.
Necessitamos antes de uma nova geração de políticas públicas (Novos Argumentos) que apresente projectos de desenvolvimento sustentáveis e com base neles, e aí sim, exigir ao Governo a sua aprovação e financiamento. É de fundamental importância uma nova atitude através de uma visão estratégica para a região de forma a dar resposta aos desafios que se irão colocar nos próximos anos. Só assim poderemos ambicionar a tornar-nos uma região competitiva, inovadora e com uma imagem de marca própria.
É mais do que necessário a criação de uma estratégia de desenvolvimento regional única que seja integrada, negociada e posta em prática por todos os municípios e principais agentes da região em conjunto. Está mais do que provado que políticas isoladas não surgem efeito quando o problema é de todos e tem de ser equacionado por todos.

Cédric Lopes Cheio