Ter, 11/12/2007 - 11:33
A Câmara Municipal de Bragança está de parabéns pelo prémio recebido. Este tipo de iniciativas podem fazer a diferença e a divulgação internacional em certames desta natureza é, sem dúvida nenhuma, uma mais valia para toda a região.
O nome do galardão é bastante extenso, assim como é extensa a minha vontade de fazer com que as coisas aconteçam e que esta região seja tratada com a dignidade que merece. Não concebo a razão deste abandono, deste descaso a que estamos obrigados, como se alguma sina má se tivesse abatido sobre nós. Vejamos: Temos natureza? Sim, e que melhor? Temos património cultural e arquitectónico? Sim, e bastante.
Mas, em contraponto: Temos poucos habitantes? De quem será a culpa? Não temos condições de manter na região os nossos jovens? Porque será? Ainda levamos muito tempo para chegar a qualquer destino? Mas temos uma rede rodoviária excelente, com muitas auto-estradas, IC’s, IP’s, noutras regiões do país que não aqui, veja-se o Algarve…
Vamos falar a sério. Embora ainda recentemente nos tenham prometido que a auto-estrada nº 4 ficará concluída em 2011, temos algumas más experiências que nos tornaram um pouco cépticos, vejam-se o IP4, o IP2, etc.
Então, quando se anda por este país fora, onde tantas auto-estradas tão pouco trânsito têm, ainda nos sentimos mais revoltados por não termos um único quilómetro delas. Há sensivelmente quinze dias ou três semanas, tive ocasião de transitar por umas poucas e, sinceramente, algumas têm menos trânsito do que o nosso IP4.
Marcolino Cepeda
Portanto, no aspecto de tornar mais fácil cá chegar, ainda estamos um pouco longe do que seria de esperar.
Quanto a sermos um Destino a ser protegido, nada melhor do que serem criadas condições para que nos possamos proteger. Devemos apostar na ideia de Cidade Ecológica e tirar partido das potencialidades da região para a produção de energia limpa e renovável.
Como Cidade a ser explorada, não podemos permitir a descaracterização das zonas antigas. Como tenho repetido quase até à exaustão, o que nos faz únicos são as nossas particularidades.
Se somos um destino com forte vocação turística, então vamos apostar na nossa vocação. Mostremos da melhor maneira aquilo que temos de melhor. É necessário apostar na qualidade, no conforto e no bem-estar sem interferir na natureza que nos cerca, oferecendo um leque variado de opções culturais, patrimoniais e de exploração da natureza.
As nossas tradições devem ser valorizadas. Não devemos ter vergonha da nossa autenticidade, da nossa hospitalidade, dos nossos sabores tradicionais, do nosso artesanato, das nossas tradições ancestrais, como por exemplo os caretos, as máscaras…, da nossa história e dos nossos antepassados. Devemos viver num mundo globalizado e usufruir das vantagens que nos oferece, mas não devemos descurar aquilo que nos torna transmontanos, sejamos nós da Terra Fria ou da Terra Quente, de Bragança ou de Freixo de Espada à Cinta. Somos únicos, somos nós e assim nos devemos manter sem, no entanto, deixarmos de lutar pelos nossos direitos e por tudo aquilo que consideremos essencial ao nosso conforto e à manutenção das populações e dos nossos jovens.
O Turismo é algo em que devemos apostar, privilegiando a qualidade em detrimento da quantidade.


