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Pai de Luís Giovani Rodrigues fala sobre o acto "bárbaro" que vitimou o filho

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Ter, 14/01/2020 - 16:45


O caso morte de Luís Giovani Rodrigues, o jovem que não sobreviveu aos ferimentos alegadamente causados por uma agressão, em Bragança, continua por esclarecer

O pai de Luís Giovani Rodrigues, o jovem que morreu no dia 31 de Dezembro, dez dias depois de ser agredido, em Bragança, à saída de um bar, garante que a PSP local não o quis deixar apresentar queixa relativa à agressão. A informação foi avançada pelo jornal “Contacto”. Joaquim Rodrigues disse ainda ao órgão de comunicação luxemburguês que esteve a aguardar, em silêncio, até que estivesse concluído o processo de transladação do corpo de Giovani para a Ilha do Fogo, em Cabo-Verde, de onde era natural, mas agora teve necessidade de falar. As declarações surgem por causa do comunicado da PSP, em que a entidade disse que procedeu às diligências possíveis para tratar do caso.

Segundo o pai de Giovani, que naquela noite estava acompanhado por outros três jovens cabo-verdianos, os rapazes estiveram no posto da PSP, no dia a seguir à agressão, para denunciar o caso mas assegura que a PSP lhes negou a apresentação de queixam, tendo-lhes respondido que teria de ser o ppróprio agredido a fazê-lo. Joaquim Rodrigues garante que lhe aconteceu o mesmo: no dia 27 de Dezembro, três dias antes do filho morrer, esteve em Bragança e quis apresentar queixa. O pai do jovem diz que foi “mal recebido” e que lhe responderam o mesmo que aos outros três jovens. Joaquim Rodrigues refere que explicou que o filho estava em coma profundo, internado no Porto, e, nessa altura, a PSP terá acrescentado essa informação à queixa que já se havia feito pelo hospital, quando Giovani foi agredido.

Em declarações à Rádio de Cabo-Verde Jovem, Joaquim Rodrigues descreveu a agressão ao filho como um acto de terror. “Infelizmente, o meu Geovani morreu e não voltará nunca mais mas não pode acontecer isto com mais ninguém. Aqui, ou em qualquer outro lugar, tem que se viver com base no civismo, na amizade e na concórdia, e não com actos como este, que são bárbaros, no meu modo de ver. O Giovani e os outros rapazinhos nem têm 50 quilos, não mereciam aquilo. Isto, no meu ver, é um acto de terrorismo. Como é possível andar com um taco de basebol na mão para bater na cabeça de alguém? Isto é terror a mais, estou chocado e quero que a justiça seja feita”.

 

Posição do responsável da PSP de Bragança

O comandante da PSP de Bragança, José Neto, em declarações ao Jornal Nordeste, confirmou que o pai de Luís Giovani Rodrigues esteve nas instalações da polícia, em Bragança, pouco depois do Natal. Houve um primeiro contacto que não terá sido o mais “assertivo”, mas, depois de ter esperado cerca de um quarto de hora, foi recebido e esclarecido sobre a situação. Terá saído convencido de que as coisas estavam a ser tratadas como deviam e que não era necessário apresentar nova queixa, por se tratar de um crime público. Adiantou ainda que na segunda-feira esteve ao telefone com Joaquim Rodrigues.

O caso começou a ser investigado pela Polícia Judiciária após o jovem morrer. Até agora sabe-se apenas que já foram identificados e interrogados alguns suspeitos.

Jornalista: 
Carina Alves