Ter, 11/12/2007 - 11:35
Sem, no entanto, pretender “bater mais no ceguinho”, o que se poderia tornar fastidioso, apenas pretendo, com um exemplo muito concreto, fazer valer a ideia, defendida pelos críticos mais inconformados, de como esta infra estrutura, que envolveu muitos milhares de euros, é uma completa desilusão, no que diz respeito à vertente da “funcionalidade”.
Por razões de natureza familiar, são frequentes as minhas idas, de carro, ao Bairro Rubacar, paralelo a esta avenida. Quando de lá saio, interrogo-me (quantos não o terão feito?!), como fará um condutor de uma camioneta – não estou, note-se, a falar de um veículo de grandes dimensões -, para, querendo sair deste bairro, tomar o sentido ascendente, em direcção à cidade. A única alternativa, por falta de espaço para fazer a manobra, deve ser, julgo, virar à esquerda e, 300 metros mais abaixo, contornar a designada “Rotunda dos Burros”. Incrível, de facto!
Assim, quem olha, por exemplo, para esta obra e para aquela estranha rotunda à saída do túnel, é levado a pensar que ambas as “raridades” foram concebidas e projectadas – com o devido respeito e sem desprimorar quem quer que seja - por alguém não diplomado em arquitectura ou engenharia, mas com formação na área das línguas.
Quem sabe, este erro, incluído na irreversibilidade do acto consumado, possa levar, num gesto de humildade cristã, os responsáveis pela autarquia a reflectir sobre essa ridícula e inoportuna ideia de descaracterizar um dos mais emblemáticos espaços urbanos da cidade de Bragança, a Avenida João da Cruz, cuja justificação parece radicar no critério da moda. Este acto de lucidez, a confirmar-se, poderia levar a que as verbas nela aplicadas fossem canalizadas para uma outra obra fundamental a considerar, como a Eco e a Ciclopista , que ligasse Bragança e Rebordãos, aproveitando a desactivada linha férrea - isto querendo copiar o bom exemplo das vilas minhotas de Valença e Monção, ligadas, ecologicamente, desta forma.
2 – Todos estaremos de acordo que as mudanças operadas na nossa sociedade serão aceites com menos entraves e resistência, se as mesmas se revelar, a todos os níveis, benéficas do ponto de vista da sua utilidade para os cidadãos. Nestas condições, a adesão tornar – se – á tanto mais profícua quanto mais práticos forem os seus resultados. Vem isto a propósito da sementeira de semáforos um pouco por toda a cidade. A ideia que eu tenho, naturalmente consensual, é a de que os ditos foram concebidos para ajudar a fluir o trânsito rodoviário nas zonas urbanas mais críticas. Mas o que se tem visto, pelo menos em alguns locais onde eles foram implantados, é que a sua função foi completamente desvirtuada. Vejamos o exemplo dos que foram colocados em frente aos Bombeiros Voluntários. De manhã, entre as 8.30 e as 9 horas – para não falar de outros espaços temporais que se incluem nas ditas horas de ponta -,quando estão ligados, chegam a provocar o caos total, com bichas de carros – ainda arrisco a proferir esta palavra, sem qualquer pudor -, que chegam a ter a extensão correspondente à distância que vai desde a apelidada pequena rotunda do ISLA à Escola Augusto Moreno; o mesmo acontecendo em relação às restantes artérias, em duplo sentido, que a esse cruzamento vão confluir. Impensável numa cidade de província como é a nossa, em que um trajecto que se pode fazer em cinco minutos, demora quinze, porque alguém, tocado pelos ventos da modernidade, entendeu importar os modelos das grandes cidades.
3 – Bem perto deste local, existe uma outra situação merecedora de reparo. Em frente ao edifício da Segurança Social e à citada Augusto Moreno, mais concretamente no sentido descendente, o piso, térreo, não está ao nível do lancil que configura a rua alcatroada. Esta disformidade - que, tanto quanto julgo saber, já foi comunicada, há algum tempo, pelo comando da P S P, aos responsáveis camarários, sem, contudo, a recomendação resultar numa resposta satisfatória -, tem originado algumas quedas, cujas vitimas são os “frequentadores” habituais do estabelecimento em questão. Há, decorrente da mesma falha, uma segunda contrariedade a considerar: os pais que, à hora de ponta, deixam os filhos mesmo em frente à escola, vêem-se obrigados a interromper o trânsito, parando em plena faixa de rodagem, porque não arriscam encostar o carro, convenientemente, com receio de que essa manobra, de segundos, possa resultar em danos materiais. Ora, a desculpa para a falta de resolução deste problema não pode ser baseada nos argumentos da “situação transitória”; porque o mesmo, de tão banal que é, se soluciona com uma dúzia de carretas de areão.
4 – Atraiçoado por uma das características da nossa língua, a polissemia, interpretei incorrectamente a palavra “pote”. Quando, no mês de Novembro, se pretendeu candidatar o utensílio de cozinha - feito de ferro e suportado por três pés, óptimo para confeccionar o butelo com cascas e o galo caseiro -, ao livro dos record´S, pensei, devido à informação me ter chegado verbalmente, que o “objecto” proponente fosse uma bebedeira. Pois, para quem desconhece, no linguajar bragançano ainda existem reminiscências da língua de Cícero. Assim, a palavra “pote”, que, além do significado normal que se lhe atribui, está, semanticamente, entre nós, num contexto de linguagem coloquial, ligada a bebedeira, provém do substantivo latino “potio, potionis”, com a significação de bebida normal, alcoólica ou droga. Natural o meu engano, não estivesse Bragança, na altura, mergulhada em plena Semana Académica!
5- Fiz questão de deixar um aspecto positivo para o fim, porque, por um lado, me parece justo atribuir mérito e reconhecimento a quem é devido, e, por outro, porque entendo dever terminar com um discurso que consiga diluir o aparente cinzentismo.
No seguimento da linha de coerência que tem marcado a política de acessibilidades da actual autarquia bragançana (é preciso reconhecê-lo), foi feita, recentemente, mais uma importante e fundamental ligação, através de asfalto, entre duas zonas da cidade: a Zona Industrial das Cantarias e o início (?) do Fundo da Veiga de Gostei, mais precisamente no limite do Campo Redondo. Na prática, com esta alternativa, pôs-se fim ao transtorno que causava atravessar uma parte da cidade para ir de uma zona à outra, quando as duas “margens” estão apenas separadas por pouco mais de 500 metros. No entanto, muita gente deve desconhecer esta obra, porque, incompreensivelmente, ela não está sinalizada, não tem placas indicadoras, em nenhum dos sentidos.
Este pormenor, de pouca importância, depois de resolvido, como se espera, com a maior das brevidades, não deve ser entendido como uma prenda no sapatinho dos munícipes.
Nota importante: Depois de ter concluído este texto, recebi, como a maioria dos munícipes de Bragança, uma carta do Sr. Presidente da Câmara, Eng.º Jorge Nunes, com o objectivo de, na qualidade a que ao destinatário se referiu, me pôr a par da dramática situação do abastecimento de água no concelho. Neste sentido, sem, contudo, ter alguma autoridade para o fazer, mas apenas e só no exercício do dever cívico que me é conferido pela minha consciência, enquanto cidadão e munícipe, reforço o apelo sentido e sério do signatário.


