class="html not-front not-logged-in one-sidebar sidebar-second page-node page-node- page-node-167673 node-type-noticia">

            

O fio da indústria da seda

Qua, 02/01/2008 - 10:29


Na passagem do século XVIII para o XIX, o Nordeste Transmontano assumiu-se como uma região privilegiada em termos de indústria da seda. Neste período, a sericultura registou, mesmo, um veloz crescimento suportado por uma acção empresarial dinâmica, bem como por uma política proteccionista estatal e uma conjuntura favorável.

Com a criação da fábrica de Fiação e Tecelagem de Sedas, em 1790, pelas mãos dos italianos Arnauds, profundos conhecedores da indústria da seda, Chacim, no concelho de Macedo de Cavaleiros, passou a fornecer seda torcida (seguindo o método Piemontês) às fábricas de Bragança. Os peritos optaram pela então vila pois, além de tradição na indústria, oferecia as condições ideais para a evolução do sector, como amoreiras, água e lenha em grande quantidade.
Desde então, os Arnauds introduziram no Nordeste Transmontano o método Piemontês, através da criação de escolas de fiação, que visavam a melhoria da qualidade da produção de seda. O objectivo seria, assim, formar fiandeiras para serem, posteriormente, mestras em novos estabelecimentos.
Entre 1790 e 1794, o filatório de Chacim triplicou a produção de seda torcida, passando de 37 para 57 teares e de 140 para 379 pessoas envolvidas neste sector.
Também Bragança vê a indústria sericícola ser reanimada, com a ajuda do empresário Lopes Fernandes, de tal modo que o número de teares passou de 195, em 1790, para 215, em 1792.
Este sector tinha, também, alguma importância no concelho de Vinhais, onde laboravam três fabricantes na própria vila e 31 em Rebordelo, sendo que, em toda a região vinhaense, trabalhavam cerca de 138 pessoas nesta indústria.

Falta de qualidade da seda, escassez de capitais e fracas técnicas de produção ditaram o fim da sericultura

Após a prosperidade do sector da seda, nos finais do século XVIII, para a qual contribuiu o desaparecimento da Inquisição na região, que perseguiu, durante séculos, negociantes, tecelões e torcedores de seda, a sericultura voltou a ser abalada.
As tentativas de modernização do sector não resultaram da maneira prevista devido a obstáculos sócio – culturais e económicos, uma vez que os trabalhadores transmontanos mantinham-se “presos” às tradicionais técnicas rudimentares.
A par do contrabando, que aumentou desmesuradamente nos últimos anos do século XVIII, a concorrência dos tecidos estrangeiros afectaram o sector.
Após ter começado a entrar em declínio, a indústria das sedas voltou a ressurgir na década de 60, mas não tardou a desaparecer. Em causa esteve um conjunto de factores, como a estrutura rudimentar de meios e técnicas de produção, bem como a falta de capitais, sistemas de fabrico primitivos, reduzidos níveis de formação e especialização, entre outros.