Ter, 11/12/2007 - 11:26
De repente, o ruído da buzina de alguns automóveis que se encontravam no exterior do café, e que protestavam pelo facto de alguém estar a descarregar mercadoria no meio da Rua Direita, impedindo a passagem, trouxe-me de volta à realidade da cidade onde vivo, e que aos poucos quase não reconheço face à descaracterização. Também em Bragança houve investidas contra Gigantes imaginários, sendo certo que, tal como no romance, a dura realidade está a encarregar-se de demonstrar que não passaram de investidas desadequadas, inopinadas e desprovidas de sentido estratégico. Ao fim de algum tempo, por muito certos que pensássemos estar, a vida, o dia-a-dia, encarregar-se-á de nos mostrar os nossos erros, cometidos num cenário de boa fé, mas que de facto, face a uma realidade onde existem mais pressupostos que aqueles que considerámos no momento, são erros. Essas opções erradas, por muito que nos custe, afectam a vida das pessoas, dificultando-lhes o quotidiano e hipotecando o futuro. Ao fim destes anos é possível afirmar-se que a relação custo benefício do túnel junto ao Fórum é positiva? Centrando-nos meramente no facto de o túnel existir ou não existir e deixando de parte a questão da adequabilidade da solução técnica, não nos parece! A transformação de uma avenida ampla, que, reconhecidamente, necessitava de uma intervenção no sentido de a melhorar, num conjunto de carreirinhos que mais parecem a base para uma pista de Karting, será uma vitória sobre os moinhos, ou mais um erro conceptual que custará muito a Bragança? O esforço de construção de um Shopping, que se encontra literalmente às moscas (lojas e pessoas), apenas para ter uma sede de junta de freguesia, terá sido producente ou plasma mais um erro de planeamento e táctica, num afã de ir acrescentando itens a uma lista sem estratégia? Ficaremos melhor depois de concluída a lista? A rota da Dulcineia direcciona-nos para os lados da Av. João da Cruz. Parece que por aí os Gigantes se empertigam, preparando-se para um recontro final com o cavaleiro.
A conjuntura actual lançou no horizonte de Quixote uma estrela guia no sentido de Belém, …. ou lá perto. Voltando ao romance, certo, certo, é que Sancho nunca largou Quixote e jamais se tentou emancipar, aceitando a sua condição de escudeiro, papel que cumpria com eficácia. Na verdade, uma vez que não faz parte do enredo, nunca saberemos se Sancho, sem Quixote, conseguiria sair do anonimato, e mais preocupante ainda, se por si só conseguiria ultrapassar os vícios a que se submeteu e incorporou, ou se, eventualmente, conseguiria conduzir a sua vida (ou de outros) sem um plano orientador por outro gizado.
Como alguém sugeriu relativamente à nomeação de Santana Lopes para Líder parlamentar do PSD, “…. Meneses pensa que a memória dos portugueses é, tal como a dos peixes, de dois segundos (dois anos no caso de Santana) …”. Espero, sinceramente, que a dos Brigantinos, seja bem mais consistente e reflectiva.
Luís Carlos Pires
Coordenador do Grupo Municipal do PS na Assembleia Municipal de Bragança.


