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O Carrapatense sem tabus

Ter, 04/03/2008 - 10:26


Quem se lembra de O Carrapatense, um boletim que o Grupo Desportivo de Carrapatas (GDC), no concelho de Macedo de Cavaleiros, publicou durante dois anos.

Fundado por António Pessegueiro Almeida e Humberto Afonso em Dezembro de 1982, o boletim abordava temáticas ligadas à adolescência e juventude, como droga, vícios, amor, paixão, sexualidade, orientação, identidade e, obrigatoriamente, desporto, entre outros.
“O jornal surgiu porque tinha disponibilidade, já que estava há dois anos sem dar aulas, e precisava de desabafar, pelo que O Carrapatense foi, no fundo, um medicamento”, explicou António Pessegueiro.
O aparecimento da publicação está ligado à formação do GDC, em Maio de 1981, e a um movimento cultural e desportivo que se vivia nessa época em Carrapatas, fruto de iniciativas de António Pessegueiro e Humberto Afonso.
Na altura, o jornal era maquetado com colagens e decalques sobre papel que era posteriormente fotocopiado. Além de uma máquina de escrever, os autores recorriam, também, a letras que eram decalcadas e colagens, bem como a ilustrações de António Pessegueiro. Este sistema reflecte bem a diferença dos meios disponíveis na altura para com os dias de hoje.
Na maioria das edições havia também temas relacionados com a agricultura. A explicação prende-se como facto do jornal ser fotocopiado e os seus editores só encontraram uma máquina fotocopiadora, em formato A3, na Direcção Regional e Agricultura de Trás-os-Montes, em Mirandela. “Eles fotocopiavam 50 exemplares e O Carrapatense publicava informação de carácter agrícola”, explica o ex-dirigente.

Fundadores chegaram a ser alvo de censura por parte da Câmara Municipal

Segundo o responsável, chegaram a ser chamados para algumas reuniões que se realizavam na Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, com o objectivo de censurarem o conteúdo de alguns artigos. “Era o Tribunal de Câmara, mas a independência de informação nunca esteve em questão, pois quando havia algum assunto que mexia com as coisas, não o deixávamos escapar”, refere António Pessegueiro.
Quem passa pela sede do GDC pode apreciar uma considerável quantidade de taças troféus e placas, sendo que a maioria são fruto de actividades multifacetadas que a colectividade teve no início dos anos 80.
Ao longo dos 26 anos de existência, o GDC tem actividades ligadas ao desporto, cultura e laser, contando para tal com o apoio do Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis (FAOJ) e do INATEL.
Durante os contactos estabelecidos com as duas entidades, aquela colectividade integrava, ainda, o Centro Desportivo e Cultural de Carrapatas e Centro Popular de Trabalhadores de Carrapatas.
Estas designações, ainda patentes em carimbos, aumentavam as possibilidades do grupo ter acesso a formação, financiamentos e oportunidades. “Foi assim que os habitantes de Carrapatas puderam ter, durante vários anos, teatro, cinema, campos de férias, desporto feminino, atletismo, xadrez e outros eventos culturais”, acrescentou.
Hoje há computadores, impressoras A3, disponibilidades técnicas e financeiras que fazem inveja às de há 25 anos, mas o Grupo Desportivo de Carrapatas não tem O Carrapatense, nem desporto feminino, nem teatro…nem direcção!