Ter, 01/04/2008 - 11:37
O presidente da Junta de Freguesia de Vila Verde, Domingos Fernandes, conta que foi um dos primeiros alunos a frequentar a escola. “Fui para lá com oito anos. Antes tínhamos aulas numa casa da aldeia que era arrendada pelo Estado”, recorda o autarca.
Na altura, eram mais de 50 os alunos que tinham aulas na freguesia. Os tempos mudaram, os métodos de ensino também e os alunos partiram para as cidades. “Naquele tempo aprendíamos a fazer contas, a ler e a escrever. Éramos muitos. Agora já não há ninguém”, lamenta Domingos Fernandes.
O autarca realça, ainda, que esta é uma escola secular, onde a disciplina ainda era mantida com recurso à régua, enquanto a figura de Oliveira Salazar se impunha na parede central. Agora, as novas tecnologias substituem os tradicionais quadros de lousa e há elementos que se foram perdendo no tempo. “Julgo que a imagem de Salazar já não está lá, o que é pena, porque também fez parte da nossa escola”, sustenta o responsável.
Completamente remodelada, a escola-museu é composta por um pátio relvado vedado, uma sala grande, um hall de entrada, sanitários e um espaço coberto.
Trata-se de um projecto pioneiro, que está a ser desenvolvido pela Câmara Municipal de Vinhais e pela Junta de Freguesia. O museu escolar, que deverá abrir as portas no próximo mês de Maio, vai integrar o Ecomuseu que vai nascer no cume da Ciradelha (um dos pontos mais altos do município), para dar a conhecer os pontos de interesse turístico do Mundo Rural.
Turismo poderá revitalizar a aldeia, que preserva espaços históricos que perduram no tempo
A Modorra, um antigo edifício Romano que se encontra em ruínas, também vai integrar este roteiro museológico. Situada no lugar da Torre, numa das vertentes para o rio Tuela, esta antiga fortificação Romana, com uma planta ovalada irregular, terá nascido para dar apoio à Via XVII. A sua resistência e durabilidade apontam para uma das grandes construções do Império Romano.
Trata-se de um local histórico, que foi resistindo ao passar dos anos. “Ainda me lembro de ver a Modorra com quatro paredes. Foi nos anos 60, altura em que emigrei para França. Quando regressei restava, apenas, uma”, recorda Domingos Fernandes.
Estes são os principais marcos históricos da freguesia de Vila Verde, que integra a aldeia anexa de Prada, onde se ergue um templo em granito de elevado valor arquitectónico.
Em Vila Verde, destacam-se, ainda, a igreja matriz, um templo simples, mas de elevado valor para a população local e a fonte de mergulho do Fundo da Aldeia, onde, antigamente, as pessoas iam buscar a água para as tarefas domésticas.
Situada a cerca de 8 quilómetros da sede de concelho, a freguesia poderá ganhar mais vida com a abertura dos espaços museológicos. “Acredito que vai haver mais movimento, o que é muito importante para a aldeia. Temos cerca de 200 residentes, a maioria das pessoas com mais de 60 anos”, salienta o autarca.
No que toca à melhoria das infra-estuturas, está a ser concluído o saneamento e a requalificação dos arruamentos, bem como o reforço do sistema de abastecimento de água.


