Ter, 13/03/2007 - 10:18
Dividida em duas fases distintas, a intervenção, que conta com a colaboração financeira da Câmara Municipal de Bragança (CMB), vai incidir, inicialmente, sobre a inventariação e protecção de acessos, poços e galerias. “Queremos tornar estes espaços seguros e duráveis, de modo a garantir que não ocorrem acidentes com as pessoas que passam por aqui”, sublinhou o responsável do projecto da EDM, Gaspar Nero.
Esta fase dos trabalhos ganha uma importância acrescida, dado o elevado número de poços desprotegidos e porque existe a possibilidade de serem encontradas mais galerias abandonadas no decorrer dos trabalhos. “Durante esta etapa, já detectámos cerca de 20 por cento de novos poços, pelo que é essencial garantir a segurança”, referiu o responsável.
A segunda fase do projecto incide na reabilitação global da zona de Montesinho e vai contemplar a mobilização de escombros, limpeza de rios e solos. “Queremos eliminar ou minimizar o risco real de contaminações”, assevera Gaspar Nero.
Para o presidente da CMB, Jorge Nunes, estes trabalhos garantem a implementação do projecto com segurança. “ Esta intervenção ao nível da requalificação vai criar as condições base para que a recuperação seja realizada, caso contrário não seria viável”, sublinhou o edil.
A EDM e a CMB pretendem, também, encontrar uma solução para o areeiro localizado numa das encostas da antiga zona mineira. “Condiciona, em parte, o investimento e queremos encontrar uma solução, de modo a ultrapassar essas limitações”, referiu Jorge Nunes.
Galerias de minas podem passar a ser visitáveis, a par do restauro das casas do aldeamento
O presidente da Região de Turismo do Nordeste Transmontano (RTNT), Júlio Meirinhos, demonstrou interesse em tornar as antigas galerias mineiras seguras, de modo a serem visitadas por turistas. “Esperamos que esse projecto se torne realizável, uma vez que poucas pessoas conseguem percorrer galerias, pelo que seria um motivo de atracção turística única e inédita”, assevera o responsável.
Recorde-se que as galerias, abandonadas há cerca de 23 anos, são horizontais e possuem uma grande extensão.
Com cerca de 30 casas, a antiga área mineira do Portelo vai ser remodelada, também, ao nível de construções. Duas delas já foram recuperadas, sendo que uma pertence à Associação Estrela do Nordeste e a outra ao presidente da RTNT. Já as restantes foram adquiridas por um empresário de Bragança para fins turísticos. Segundo Júlio Meirinhos, o investimento no potencial desta área é, à partida, um forte argumento. “A proximidade com a Sanábria (Espanha) e o Parque Natural de Montesinho representam uma mais-valia que nunca tinha sido valorizada por ninguém”, lamenta o responsável.


