Ter, 04/03/2008 - 10:35
A História revela-nos momentos destes ao longo de todos os tempos e em todos os povos.
Mas as formas em que a violência tem sido implementada têm sido diversificadas e escolher de entre elas as mais compreensíveis, torna-se um jogo de difícil desfecho. Depois de domesticar os animais de que necessitava, o homem escravizou-se a si próprio, o que nos leva a concluir que a nossa espécie pouco ou nada diferia dos outros animais. A violência da escravatura foi um momento muito triste da nossa história, mas será que ela já terminou? Claro que não. Nem terminará. A subjugação do homem pelo próprio homem é um jogo de violência que não acabará nunca.
De facto a imaginação do homem é fértil em conceber formas de violentar o seu semelhante e não necessita da força para as tornar realidade. São as chantagens, as leis, as imposições autoritárias que levam a que os homens se sintam violentados de várias formas. O roubo da própria liberdade, nada mais é do que uma das formas mais violentas a que se pode sujeitar o homem. Mas se a liberdade é imperiosa para o bem do homem, a democracia é-o igualmente e esta, nem sempre é usada da melhor forma. Aliás, pode chegar-se a verificar a ausência de democracia num Estado democrático. Isto é simplesmente violência política e social, impensável num Estado de direito.
Apesar de podermos apontar erros em todos os processos de violência, o que nos magoa mais certamente é o facto de ela ser exercida sobre inocentes, na sua maior parte, incapazes de se defenderem ou de poderem alterar essas situações. É o caso da prepotência e autoridade deste governo, mais propriamente da ministra da Educação, sobre os professores. Já muita tinta correu sobre este assunto e esta não será a última certamente. Já dei o meu contributo sobre este problema. Mas, não posso deixar de voltar a ele depois de tudo o que ultimamente se tem verificado. É uma violência enorme o que se está a querer impor aos professores e às escolas. Não é o facto de as avaliações terem ou não de ser feitas. O facto essencial é a violenta autoridade com que se quer aplicar uma lei ou determinação que não tem qualquer suporte legal, contra a qual estão todos os professores e sindicatos, mas que a senhora ministra quer levar a cabo custe o que custar, sem que para isso de disponha a falar com os professores e a negociar com eles as formas de o fazer democraticamente. Todos querem ser avaliados, mas de uma forma justa, atempada e coerente cujos princípios sejam iguais para todos. Ora isto não é o que se está a verificar no actual plano.
Mas se os professores se questionam sobre este método ilegal, o que dizer dos métodos apontados para os alunos? Será que a senhora ministra se lembrou dos alunos quando fez esta lei? Não! Definitivamente, não! Os professores que entraram agora há um ou dois anos na carreira, também não foram objecto do pensamento e da preocupação da senhora ministra da educação. A guerra é contra os professores. Nada mais. Violência pura. Terrível! Os alunos e os professores que estão a iniciar a sua carreira, são carne para canhão. Autênticos inocentes, que pagam caro a carreira que escolheram, ao serem cilindrados pela prepotência desta ministra e deste governo que não sabe e não quer negociar. Se isto é democracia…! Nunca em causa estiveram os alunos. Esses são gente menor com quem a ministra não se interessa. O Estatuto do Aluno é bem prova disso. Ou se passam todos para garantir um índice de sucesso que nos posicione bem aos olhos da Europa, ou se submetem a exames anacrónicos se eles não forem assíduos. Isto faz sentido? Nenhum e não são precisas explicações. Inocentes sem voz activa e sem vontade própria.
E se os professores se comportam de modo irreverente perante esta prepotência ministerial, é porque sentem na pele toda a violência do processo a implementar o qual violenta a própria consciência de ser professor e a dignidade da profissão, cujo sacerdócio não se questiona para a maior parte de quem se dedica a ela.
Perante tantos milhares de protestos em todas as cidades e mesmo dentro do próprio partido que sustenta o governo, como se pode manter ainda de pé, esta ministra da educação? Não podemos esquecer que Ana Benavente, por exemplo, que foi dentro do partido socialista, a porta-voz para a educação, criticou esta política e pediu a demissão da senhora ministra. Deste modo, o comportamento da ministra da educação, não pode ser considerado correcto e muito menos o do primeiro-ministro que veio “gritar em público” que este processo seria para continuar e levar até ao fim. Que violência! Que autoritarismo! Que falta de democracia! De facto, não interessam os meios para atingir os fins. É um massacre autêntico! Nada faz sentido, mas o que interessa é avaliar os professores e passar os alunos, seja como for. Como pode alguém avaliar a educação? Como avaliar esta ministra? Se nós condenamos todo o género de violência, não será de condenar acerrimamente esta ministra que a pratica com a ideia clara de que está a exercer um benefício enorme? Pois, condenemos!
E os pais e os seus representantes que, numa confederação inócua, ainda lhe dão alguma força apoiando este tipo de política? Será que estes senhores são verdadeiramente pais? Não creio. Se o fossem, pensariam primeiro nos seus filhos em vez de se pronunciarem contra os professores. Podemos ter a certeza que esta política tem simplesmente o objectivo de arrasar os professores, dividir a classe e fazer com que o ensino privado volte a este país. Um massacre atroz, sobre os inocentes que dão vida à educação. A maior matança jamais vista em Portugal.


