Ter, 12/02/2008 - 10:30
Tal como se pode ler no livro é o “primeiro impulso visível” em torno da cultura imaterial, numa altura em que “ a globalização teima em fazer tábua rasa da identidade dos povos e em que instâncias críticas e atentas como a UNESCO desafiam os países e as regiões a acautelarem o seu património, sob pena de se extinguirem culturalmente num futuro muito próximo”, alerta Armindo Mesquita.
Este inventário, promovido pelo Museu do Douro, começa no município de Tabuaço, “um concelho muito rico em lugares de memória associados à sua paisagem repleta de formações megalíticas fantásticas, que alternam com vales profundos e escarpas assombrosas”. Estas características “geram na interpretação popular todo um universo mítico-lendário de crenças e superstições, que chegou até aos nossos dias através das narrações orais”.
Mitos, lendas e histórias das gentes do Douro reunidas numa obra inédita a nível nacional
O trabalho de campo teve por base fontes tradicionais (manuscritos e relatos orais de pessoas das aldeias) e fontes científicas (colectâneas de literatura oral tradicional, monografias e imprensa local). O material foi, posteriormente, dividido em dois grandes grupos: os contos populares e as lendas e mitos. Esfolheando o livro é possível ler relatos de lobisomens, almas penadas e demónios, testemunhos carregados de religiosidade e de sobrenatural.
Armindo Mesquita realça, ainda, que esta obra é “ a inclusão de um estudo teórico-metodológico e interpretativo do património imaterial, onde, entre outros aspectos, se aborda a importância das lendas e dos mitos na avaliação da história, da cultura e da personalidade dos povos”.
Através desta compilação é possível conhecer a história das gentes que fazem parte do Douro.


