Ter, 13/03/2007 - 16:38
- Portanto, uma comunidade humana pode viver períodos de evolução negativa; pode regredir, andar para trás. Pergunto-me se a região do Nordeste Transmontano não enfrenta sinais de retrocesso, de regressão! Dispenso-me de referir casos, situações, circunstancias que ... de tão recentes são bem conhecidas de todos.
Discute-se:
1. o investimento (ou a falta dele) no interior...;
2. A desertificação..;
3. As infra-estruturas votadas ao abandono;
4. «A estratégia suicida dos autarcas incapazes de olharem além do seu concelho», (lia-se num jornal de 16.2.07).
Seremos capazes de moral e circunstanciadamente, contraditar esta afirmação?
- O ponto essencial desta minha reflexão é o das “Infra-estruturas votadas ao abandono”; mais especificamente o da “linha do Tua”... Não por causa do tão recente trágico desastre que me choca e dói como qualquer Mirandelense ou Transmontano ( desgraçadamente não podemos garantir que tipo de sentimento toca os agentes do centralismo governativo ), mas porque a Linha do Tua é, para mim, um dos sinais, um prenúncio de que poderá desenhar-se, para as gentes do interior, um futuro negro de angústia, face às incertezas do presente.
- A Linha do Tua... ia do Tua a Bragança! ia!.. já não vai. Foram os nossos avós e bisavós quem a construiu (é assim em termos cronológicos). Há um dever de memória da geração actual para com os que nos precederam.
O que herdamos, deitemo-lo fora, destruímo-lo se, e só se, nos prejudica!
O que há de prejudicial no que resta da Linha do Tua – o troço Tua-Mirandela?
- Deparamo-nos agora com a hipótese de o ver submerso pela albufeira de anunciada barragem.
- O Município (e a região) exigem investimentos para garantir o futuro. O que nos garante a falada barragem? Oiço dizer que permitirá e estimulará empreendimentos para desenvolver as potencialidades turísticas. Pode que sim! Quanto a mim, a grande potencialidade é a própria linha, o troço Tua – Mirandela. Dela dizem entendidos de fora da região – e portanto insuspeitos de bairrismo – que se trata de uma das mais belas linhas de montanha do mundo! Que mais eficaz atractivo turístico do que a singularidade, o exotismo daquele ambiente para deslumbramento dos sentidos? Não é uma raridade o fruto daquele casamento entre a natureza – rio, escarpas, rochas, barrancos, falésias – e a engenharia humana? Onde um património paisagístico tão «belo horrível» a proporcionar tão agitadas emoções? Os trabalhos, os sacrifícios, a luta dos nossos bisavós contra o isolamento, permitiram que tantos de nós pudéssemos contemplar aquele cenário como marca inconfundível a significar “Isto é Trás-os-Montes”!...E nós abandonamo-lo, entregando-o a outros como se não prestasse para nada?
Bem gostaria de ler os autênticos esquemas mentais daqueles cujas atitudes podem relevar no definir estratégias que garantam um futuro a este canto do País!!!
Pode tratar-se de ingenuidade, algo de semelhante ao que acontecia quando as pessoas simples das nossas aldeias davam uma mesa antiga de castanho e recebiam em troca uma mesa novinha, lisinha... em fórmica! Ou ... pode tratar-se das “Malhas que os interesses tecem”, e... deixa-se afogar aquele património como se já não fosse um bem, um valor para a região?! Que estranheza ... Nem um pio dos “ambientalistas”!!!
Quero deixar, aqui, bem clara, a minha firme convicção:
A recuperação da Linha do Tua para funcionar como atracção turística é a solução que mais vantagens traria à economia da nossa Região.
Tal solução exige investimento avultado? Claro que sim. E tal conseguir-se-á com uma estratégia conjunta dos autarcas dos municípios envolvidos, mas estratégia unitária porque haveriam de puxar todos para o mesmo lado. Estratégia a visar o cumprimento, pelo Estado, do princípio da coesão territorial; o mesmo é dizer, exigir do Governo Central o contributo financeiro adequado e indispensável para que estes municípios sejam dotados de condições em pé de igualdade com os do litoral
O poder político é o “dever de governar”. O dever de governar consiste, fundamentalmente, em dar a todos, por igual, oportunidade de serem felizes e realizarem-se como cidadãos.
Exijamos do poder central o que só a este cabe cumprir. Quanto a mim, isto:
A grande potencialidade da linha do Tua está no seu aproveitamento para fins turísticos. Defendo, sem reservas ou condições, a sua recuperação, restauro, manutenção e funcionamento.
Não a deixemos afogar...
Respeitemos a memória dos nossos AVÓS – compreenderão que o sacrifício dos nossos antepassados para realizar esta obra foi incomparavelmente superior ao da construção do IP4 Vila Real – Bragança!
Por mim, se outro consolo não tiver, contento-me com a resposta que poderei dar aos meus netos, se me vierem um dia a interrogar com modos de censura: - O que fizeste para evitar a injustiça do abandono? - Está aqui; Vede o que escrevi e disse por mais de uma vez. Não fui nem amorfo, nem resignado, nem submisso.
Se outros vierem a ter o que houvermos de perder, aí sim, ficarei triste e resignado... Quem não pode, morrer se deixa!!!
Baitta Fonso


