Ter, 29/01/2008 - 12:28
É que seja qual for a cota da barragem, haverá sempre alguns quilómetros de linha inundados, pois o paredão de betão armado terá de ser feito na Foz do Tua. Este dado é indesmentível, ao contrário da teia de especulações que paira sobre a cota da albufeira.
Para garantir a sobrevivência do caminho de férreo no distrito de Bragança só resta uma saída, que passa por abdicar da barragem. Todos sabem disso, e os políticos melhor que ninguém.
Não é possível conciliar a via férrea com a produção de energia, porque uma coisa é um corredor com ligação à Linha do Douro e ao Porto, outra é um troço que não será ramal nem linha, mas que começará em Carvalhais e terminará no apeadeiro da Brunheda, mais quilómetro acima ou abaixo.
E se a escolha tem de ser feita, há que perguntar se vale a pena preservar uma linha única, que rasga fragas e atravessa pontões ou aterros a cada metro de carril, com túneis e paisagens singulares ao virar de cada curva.
À primeira vista poderá dizer-se que vale a pena tentar, ainda mais numa altura em que se fala na reabertura da linha do Douro, entre Pocinho e Barca d´Alva. É que se não mantivermos estas magníficas obras de engenharia, tudo o que os mais novos conhecerão em termos de caminho de ferro serão as ecopistas ou as linhas electrificadas dos Intercidades e Alfas Pendulares.


