Ter, 01/04/2008 - 11:06
“Quando nos aproximamos vimos que estava inconsciente e já não respirava. Por isso, iniciamos logo a reanimação com conversões torácicas e insuflações”, recorda o adjunto de comando dos BVV, Carlos Ferreira.
A formação ao nível dos Suporte Básico de Vida foi fundamental para Carlos Ferreira e Bruno Guedes conseguirem fazer as primeiras manobras de reanimação. “No meu caso tenho formação de Tripulante de Ambulância de Socorro e o meu colega tem formação de Tripulante de Ambulância de Transporte”, salientou o soldado da paz.
A ambulância do INEM chegou poucos minutos depois para socorrer a vítima. “Continuamos a fazer a reanimação já com o auxílio de um insuflador e de oxigénio. De seguida, foi transportado para o Centro de Saúde da vila, onde foi desfibrilhado e assistido pela equipa médica”, conta Carlos Ferreira.
Ainda em fase de recuperação, Levi afirma que o auxílio dos colegas lhe salvou a vida. “Tenho consciência que se tivesse estado à espera de socorro ou não teria sobrevivido ou teria ficado com muitas lesões ao nível cerebral”, frisa o atleta.
Carlos Ferreira realça, ainda, que os primeiros quatro minutos após a paragem cárdio-respiratória são “de ouro”. “A partir daí, as possibilidades de sobrevivência vão diminuindo a cada minuto que passa”, acrescenta o responsável.
Levi vai voltar a vestir a camisola dos Veteranos de Vinhais já na próxima época
Para o soldado da paz, o caso de Levi é especial. “O que lhe aconteceu a ele pode acontecer a qualquer um de nós. Por isso, é importante que haja alguém com formação ao nível dos Primeiros Socorros nas infra-estruturas desportivas”, afirma Carlos Ferreira.
Esta posição é partilhada por Levi, que defende que os próprios clubes deviam ter alguém com formação nesta área para acompanhar os treinos e os jogos. “Eu pratico futebol federado desde os 12 anos, faço exames médicos com regularidade e nunca me foi detectada qualquer lesão. Aliás, cerca de seis meses antes do acidente fiz um check-up, do qual fez parte um electrocardiograma, e estava tudo bem”, sublinha o atleta.
Sem explicação para o sucedido, visto que na família também não tem antecedentes, Levi salienta que os Primeiros Socorros prestados no campo e a prontidão dos socorros médicos foram cruciais para a sua sobrevivência.
“Este caso demonstra que é fundamental que o Centro de Saúde de Vinhais continue aberto durante a noite. Foi uma vida que se salvou”, realça Carlos Ferreira.
O jogador do Vinhais teve, ainda, o apoio da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Bragança, que acompanhou o transporte da vítima até à Unidade Hospitalar de Bragança. Dado que o estado de saúde do atleta se agravou, foi transferido, no dia seguinte, para a unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Vila Real, onde permaneceu internado até ao passado dia 12 de Março.
Após o período de recuperação, Levi pode voltar ao futebol já na próxima época. “Os médicos disseram-me que eu posso voltar e vou fazê-lo devagarinho. Vamos ver se o meu coração aguenta”, adianta o jogador, acrescentando que este episódio foi “mais do que um susto”.


