Qua, 02/05/2007 - 10:04
O convento, onde actualmente funciona o Arquivo Distrital, e o templo estão classificados como Imóvel de Interesse Público pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), mas os problemas surgidos durante a requalificação do imóvel impedem a população e os turistas de apreciarem a beleza arquitectónica da igreja.
O monumento românico, de traça maneirista e barroca, aparenta alguma degradação e abandono, situação que já levou o IPPAR a reunir com a Ordem no sentido de encontrarem soluções para a conclusão das obras e valorização do templo.
A directora regional do Porto do IPPAR, Paula Silva, reconhece que se trata de um processo complicado, mas considera que há condições para reabrir a igreja, onde já foram gastos milhares de euros.
Recorde-se que entre, 1996 e 2000, foi levada a cabo uma primeira intervenção, da qual fizeram parte “escavações arqueológicas, tratamentos contra térmitas e restauro de altares e estatuária”. Estes trabalhos foram candidatados ao programa Interreg II e co-financiados pelo IPPAR e pela Câmara Municipal de Bragança.
A segunda intervenção teve início em 2001, no âmbito de uma candidatura apresentada pela Ordem ao Programa Operacional da Região Norte, mas viria a ser embargada em Julho do ano seguinte, devido a alegados desentendimentos com o empreiteiro.
Templo integrado nos caminhos de S. Tiago de Compostela sem data marcada para reabrir as portas
Neste momento, Paula Silva afirma que já foram ultrapassados os diferendos entre o dono da obra e os projectistas, mas assegura que o IPPAR poderá ajudar, apenas, no processo de desbloqueio de questões burocráticas, visto que não tem capacidade financeira para custear os trabalhos.
Segundo a tesoureira do conselho da Ordem de S. Francisco, Augusta Miranda, a Ordem também não tem dinheiro para concluir as obras e apela ao apoio das entidades governamentais para a reabertura da igreja.
“O nosso interesse é abrir a igreja, porque é um espaço bonito e com interesse público. Há muitos turistas a perguntar porque é que o imóvel está fechado”, acrescentou a responsável.
Recuando no tempo, a igreja de S. Francisco foi reedificada em finais do século XVII, que deu ao templo românico uma traça maneirista e barroca. Segundo reza a história, a sua construção inicial, em 1214, foi feita na presença do próprio Francisco de Assis, no regresso da sua peregrinação a Santiago de Compostela.
Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria, Jorge Novo, a igreja e o convento tiveram um papel fundamental no auxílio aos peregrinos a Santiago, “pelo que considera que deveria de estar aberta, dado o seu elevado valor histórico”.
A degradação do espaço envolvente também tem prejudicado o Arquivo Distrital de Bragança, uma vez que é servido pelos mesmos acessos do templo.
Ao que o Jornal NORDESTE conseguiu apurar, o encerramento da igreja também estará relacionado com processos judiciais que aguardam resolução. Por isso, para já ainda não há uma data marcada para a reabertura do imóvel.


