Ter, 04/12/2007 - 10:06
O anúncio publicado pelas Estradas de Portugal, no passado dia 23, fazia crer que os utentes pagariam para circular nos troços Vila Real (Parada de Cunhos) - nó com a A24 (7km); Nó de Bragança Poente - Nó de Bragança Nascente (7 quilómetros); Nó com a A24 - Nó de Vila Real Nascente (4km) e Nó de Bragança Nascente do IP4 - Quintanilha (14 km), num total de 32 quilómetros.
Ontem, contudo, as Estradas de Portugal publicaram, na imprensa nacional, um novo anúncio de concurso público, em que os custos para o utilizador só estão previstos nos lanços Vila Real (Parada de Cunhos) - nó com a A24 (7 km); Nó de Bragança Poente - Nó de Bragança Nascente (7 quilómetros), que circundam as duas cidades.
Em ambos os casos o Governo explica a aplicação de portagens com a existência de alternativas nas variantes do IP4, que não serão absorvidas pelo traçado da Auto-Estrada Transmontana, ao contrário do que acontecerá com 82 por cento da via rápida entre as duas capitais de distrito.
Recorde-se que, em Abril de 2006, o primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou, em Bragança, que a Auto-Estrada Transmontana seria construída em regime sem custos para o utilizador (SCUT) entre Vila Real e Quintanilha.
“Nunca se discutiu a ideia de existirem portagens na Auto-Estrada Transmontana”, recorda Jorge Nunes
Por isso, a decisão de cobrar portagem em dois troços da Auto-Estrada Transmontana apanhou de surpresa alguns autarcas, entre os quais o de Bragança.
Segundo Jorge Nunes, nunca se discutiu a ideia de existirem portagens na Auto-Estrada Transmontana, nem sequer nos sete quilómetros que separam os nós de Bragança Poente e Nascente. “Para os habitantes locais é penalizador, pois obriga-os a desvios alternativos muito longos. Este tipo de portagens só faz sentido se houver isenção para a população local”, defende o autarca.
Jorge Nunes teme, até, que a colocação de portagens em 14 quilómetros de auto-estrada seja uma forma de habituar os automobilistas à ideia de pagarem em todo o percurso, mais cedo ou mais tarde.
Visão diferente tem o deputado do PS à Assembleia da República, Mota Andrade, para quem a introdução de portagens teve em conta a existência das alternativas nas variantes do IP4. “Até pode beneficiar Bragança, pois o tráfego internacional terá de aproximar-se da cidade se não quiser pagar e alguns acabarão por parar”, defende o responsável.
Além dos 14 quilómetros da Auto-Estrada Transmontana, o troço Vila Real-Amarante, incluindo o Túnel do Marão, terá custos para o utilizador, tal como foi anunciado por José Sócrates há um ano em meio, na sua primeira deslocação a Bragança.
João Campos/Sandra Canteiro


