Ter, 15/04/2008 - 11:09
Até ao momento, ambas as entidades descartam a hipótese de praga ou doença. “O fenómeno está a ser provocado pelas condições climatéricas adversas, que causam a morte de alguns olivais”, explicou o presidente da AOTAD, António Branco.
No entanto, agricultores de Carção contactados pelo Jornal NORDESTE falam num bicho que penetra pela casca e “come a seiva da oliveira”, fazendo com que “fiquem amarelas, sem folhas e sem dar fruto”, explicou Francisco Varges, um dos produtores.
Segundo este agricultor, depois de cortar parte da casca da árvore, consegue ver-se o bicho que “cria uma espécie de farelo em algumas oliveiras”.
Já Luís Ramos, outro produtor, explicou que muitos dos olivais estão danificados. “Cerca de metade das oliveiras foram afectadas e parece que é um bicho que passa de árvore para árvore. Começa numa oliveira e espalha-se por todo o olival”, acrescentou o agricultor.
Esta situação já prejudicou, segundo este olivicultor, a produção de azeite do ano transacto e irá agravar-se este ano. “Começámos há cerca de ano e já se reflectiu na apanha da azeitona do ano passado, mas este ainda vai ser pior, pois já caíram muitas folhas”, assegurou Luís Ramos.
Cortes de ramos secos podem comprometer as oliveiras para sempre
O agricultor adiantou que “não se conhecem tratamentos ao certo e que os que são experimentados não têm surtido nenhum efeito”.
Já Francisco Varges adianta que existem alguns tratamentos que poderiam ajudar a resolver o problema, mas são demasiado dispendiosos para a maior parte da população. “Custam cerca de 250 euros e eu optei por não aplicar nenhum”, frisou.
Por isso, as pessoas afectadas têm tentado salvar as árvores danificadas cortando alguns ramos mais secos. “Cortámos alguns galhos das oliveiras para as tentarmos recuperar, mas durante três anos a produção de azeitona fica comprometida”, lamenta Luís Ramos.
Da parte da AOTAD, António Branco reconhece que, mesmo que as árvores não desapareçam, as podas efectuadas por alguns olivicultores podem danificá-las irremediavelmente. “Alguns cortes são tão violentos que comprometem a produção de azeitona”, adverte António Branco.
Por seu turno, o presidente da Junta de Freguesia de Carção, Marcolino Fernandes, referiu que “a morte de alguns olivais pode ser resultado da falta de água, juntamente com o tal bicho de que a população fala”.
Qualquer que seja a causa, é certo que resultará em prejuízos para os vários olivicultores da região. “As pessoas queixam-se muito e, se já este ano registámos uma quebra na produção, pois nem a quinta parte se colheu, e este ano vai ser ainda pior, pois muitos olivais secaram”, lamentou o autarca.


