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“Gaiteiras” animam festas tradicionais

Ter, 18/12/2007 - 11:10


Carla Brás tinha 14 anos quando aprendeu a tocar gaita-de-foles. A oportunidade surgiu quando abriu um curso de Educação extra-escolar na aldeia de Vila Meã, leccionado pelo único gaiteiro desta localidade do concelho de Bragança.

“Sempre tive curiosidade em aprender a tocar este instrumento tradicional”, revela a “gaiteira”, acrescentando que as primeiras notas foram soltas a partir daquilo que aprendeu pelo ouvido.
“Não tínhamos pauta. O senhor tocava e nós víamos como ele fazia. Aprendemos algumas músicas e, a partir daí, fui tocando outras, apenas, pelo ritmo”, conta.
Sandra Brás também deu os primeiros passos neste grupo de aprendizes quando tinha 15 anos. “Apesar de me encontrar em plena adolescência e ter a marca da irreverência natural da idade fiquei encantada com o toque da gaita-de-foles”, revela.
Foi assim que surgiu um grupo onde as protagonistas são, maioritariamente, raparigas, uma moda que vem contrariar a tradição do gaiteiro do sexo masculino.
“Quando toco este instrumento sinto que sobressaio e desperto a atenção das pessoas. A gaita-de-foles, por si só, já causa alguma notoriedade.
Além disso, há muitos mais gaiteiros homens do que mulheres”, afirma Sandra Brás.
Carla, por sua vez, diz que ouve alguns comentários nas festas que costuma animar. “Há pessoas que quando vêem raparigas a tocar dizem: ‘vamos ver se as raparigas tocam bem’. Mas depois chegam à conclusão que afinal tocam como os rapazes”, enfatiza com um sorriso no rosto.
A maior dificuldade, revela a jovem, é conseguir ter fôlego para manter a bolsa da gaita com ar suficiente para tocar. “Quando era mais pequena custava um bocado, mas agora já me habituei”, acrescenta a “gaiteira”.

As raparigas a tocar gaita-de-foles suscitam a curiosidade das pessoas nas festas tradicionais das aldeias transmontanas

A beleza do instrumento salta à vista de todos e a particularidade do som também encanta qualquer ouvido. Nas festas tradicionais, tanto no Verão como no Inverno, o grupo de gaiteiros de Vila Meã percorre diversas aldeias do concelho de Bragança, onde espalha alegria e muita animação com os sons tradicionais.
“Somos três raparigas a tocar gaita-de-foles e mais duas tocam caixa e pandeireta. Depois também há alguns rapazes e o senhor que nos ensinou a tocar”, revela Carla Brás.
Para além das festas, as jovens também animam alguns convívios particulares quando são convidadas pelos amigos para “levar a gaita”.“Nas Festas tradicionais de Natal também nos juntamos aos caretos, nomeadamente com os de Aveleda”, sustenta Sandra Brás.
Conciliar esta arte com os estudos ou com as profissões também é tarefa fácil para estas jovens. “Ensaiávamos à noite e as festas eram nas férias e ao fim de semana. Só houve uma vez que fiquei triste por não poder ir com o grupo à Praça da Alegria”, salienta Carla Brás.
Aos 22 anos, a “gaiteira” afirma que gostaria de aprofundar mais este instrumento, mas o facto das jovens terem que conciliar este “hobby” com a actividade profissional acabou por dissipar o grupo, devido à distância de alguns elementos.
No que toca ao futuro desta arte, Carla Brás afirma que é importante existirem mais jovens a aprender a tocar gaita-de-foles para garantirem a passagem desta tradição de geração em geração.