Ter, 06/11/2007 - 10:08
Recorde-se que, na última década, a gradual substituição por modelos estranhos à tradição e à região, quase levou à extinção deste instrumento mirandês.
A padronização da gaita-de-foles foi um processo de enriquecimento cultural e económico com impacto a nível local e nacional, implementado por estudiosos que pretendem salvaguardar este instrumento ancestral, que assume uma vital importância na etnomusicologia da região transmontana.
Os trabalhos têm suscitado o debate em torno da gaita-de-foles mirandesa e pretendem preservar a afinação arcaica e a morfologia do instrumento para que se possa tocar em uníssono e criar um processo que conduza à construção de réplicas de velhos instrumentos.
O estabelecimento da padronização e reconhecimento, com normas de construção e padrão construtivo foi um dos primeiros objectivos a atingir, não estando, ainda, colocada de lado a certificação do tradicional instrumento de sopro.
Segundo Jorge Lira, um dos promotores da iniciativa, há 25 ponteiras de gaita-de-foles mirandesa construídas e perfeitamente afinadas umas pelas outras. “É um momento histórico, já que garantem a autenticidade de sons que há várias décadas que não se ouviam no planalto mirandês, sendo que, agora, 25 gaiteiros podem tocar em uníssono e ao mesmo tempo”, adiantou o responsável.
Com o processo de padronização, gaiteiros podem tocar em uníssono e ao mesmo tempo
De acordo com Paulo Meirinhos, músico e gaiteiro do grupo Galandum Galundaina, este passo é indispensável para a manutenção da gaita-de-foles mirandesa enquanto instrumentos de linhagem tradicional portuguesa.
“Não existia um padrão unido para a afinação das gaitas, logo não poderiam tocar em conjunto e em uníssono, pois cada construtor apresentava o seu próprio timbre. Uma situação que terá condicionado a aprendizagem do instrumento”, argumentou o músico.
Apesar dos avanços, houve quem colocasse em causa todo o processo de padronização e reconhecimento da gaita-de-foles mirandesa.
“É preciso prudência e evitar precipitações, já que há partes do estudo que ainda estão por concluir”, defendeu o presidente da Associação Para o Estudo da Gaita de Fole, com sede em Lisboa, Francisco Pimenta.
Estas observações foram, contudo, desvalorizadas pela organização do Congresso, que não “ reconhece legitimidade a Francisco Pimenta para fazer tais comentários”.
Para a realização da investigação, analisaram-se instrumentos com cerca de 200 anos e propriedade de vários gaiteiros e museus.


