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A fruta boa também apodrece

Ter, 27/02/2007 - 10:45


Comer fruta faz bem à saúde. Contém uma série de ingredientes benéficos ao corpo humano, ajudando a manter em forme a enorme quantidade de músculos e órgãos que o nosso corpo contém.

Os ingleses costumam mesmo dizer que uma mação por dia, mantém o médico longe – "an apple a day, keeps the doctor away". Mas não precisamos dos ingleses para nos ensinarem coisas óbvias. Maçãs, laranjas, tangerinas, bananas, ananás, cerejas e tantas outras, são frutas de eleição e que devem ser consumidas no seu tempo certo.
Eu conheci-o. Era dinâmico, cheio de ideias boas, até parecia que iria mudar alguma coisa de essencial nesta pequenez de espaço nacional. Foi bem aceite por quase todos. Elogiaram-no até ao exagero. É habitual. Era um homem ímpar, até no tratamento. Um ar tímido ressaltava da sua postura. Em público, sorria, mas o seu sorriso destinava-se a dar-lhe alguma segurança que, definitivamente, não tinha.
É verdade! Lembro-me que naquela altura tinha um cabelo farto, castanho, embora despenteado. Era uma característica dele. Raramente usava fatos. Identificava-se com a juventude ou, pelo menos, tentava. Não há mal em tentar! Também não há mal nenhum em sonhar! Ele sonhava! Talvez o sonho fosse um dos seus principais alimentos! E eu compreendo que até fossem uma justificação para algumas posições que acabou por tomar. Naturalmente que temos de sustentar as nossas posições em algo credível e durável. Não é que o sonho dure muito ou seja objecto de crédito. Cada um dar-lhe-á o crédito que entender e ele durará o tempo que se quiser. Talvez ele o tenha feito. Não sei. Nunca lho perguntei.
Naquele tempo ele era uma fruta quase madura, passe a comparação! Para uns ele era uma fruta verde. Para outros, já madura. Para outros, não era mais do que uma peça de fruta no meio de um cesto repleto de outras peças de fruta. Mais uma, simplesmente! Nunca ninguém chegou a dizer se ele era maçã, banana ou laranja. Também não interessava. Eu também nunca o comparei com nenhuma fruta em especial, até porque possivelmente não conseguiria.
O que sucedeu foi que a fruta amadureceu e alguém a foi buscar ao cesto. Já poucas existiam e, talvez por isso mesmo, ele foi a peça escolhida. Era altura de ser utilizada. E foi. Deram-lhe as mais dinâmicas acções a desenvolver, os cargos mais importantes, desempenhou tudo na perfeição e de acordo com o seu sonho. Só com o seu sonho! Mas muitos o seguiram e o apoiaram durante algum tempo. Tempo demasiado!
A fruta que parecia ser boa e talvez até fosse, que tinha um sonho quase credível e que até o pôs em execução e foi apoiado por muitos que acreditavam em sonhos, passou além dos limites do amadurecimento e apodreceu. Ficou podre. Foi utilizada tempo demais. Toda a fruta tem um tempo de amadurecimento e um tempo certo para ser utilizada devidamente, antes que não sirva para nada.
Eu lembro-me bem de tudo. Quando começou a apodrecer, contagiou todas as outras peças de fruta. Tudo apodreceu. A pouco e pouco, umas atrás das outras, todas foram seguindo o mesmo rumo. Com o tempo, todas foram deitadas fora. Podres.
Hoje, ainda me lembra de como me parecia impossível acontecer uma coisa assim. Mas aconteceu. Já lá vão muitos anos, mas muitos se questionaram sobre as razões que impediram que se comesse a fruta enquanto ela estava madura! E eu igualmente me questionei sobre o assunto. Normalmente come-se a fruta quando ela está madura. No tempo certo. Mas este caso foi diferente. Parece-me que as pessoas pensavam que a fruta boa se manteria sempre boa, como se fosse congelada! Enganaram-se! A fruta boa também apodrece! E ainda bem que assim é.
Já passaram muitos anos sobre o assunto. Hoje, no ano da graça de dois mil e dez, ainda me questiono se poderá alguém ainda crer que a fruta não se deve comer madura!
Lembremo-nos sempre que a fruta é essencial ao nosso corpo e por isso deve-se comer quando ela apresenta o melhor aspecto e evitar que ela amadureça demasiado, correndo o risco de, ao abrir, ela se encontrar podre, embora com aparência de boa! Aqui é que reside a essência da inteligência humana. Aproveitar o momento certo para comer a fruta e não se guiar somente pelo aspecto exterior. Pode já estar podre!