Feira Internacional do Norte tem impacto na economia regional

Ter, 05/11/2019 - 12:24


A caça, a pesca e a castanha reinaram, de 31 de Outubro a 4 de Novembro, em Bragança.

Pelo décimo oitavo ano consecutivo, a Feira Internacional do Norte convidou visitantes de todo o país a conhecer a cidade brigantina, assim como toda a região transmontana. Pela primeira vez, não só no concelho, como no certame, foi realizada a final dos Campeonatos Nacionais de Santo Huberto, uma modalidade “rainha”, relativamente à actividade da caça. Demostrações de pesca, gastronómicas, passagem de modelos, montaria ao javali, passeio micológico e até um espaço infantil, com vigilância, para os mais pequenos, foram algumas das atracções deste fim-de-semana. A feira reuniu ainda 80 expositores transmontanos e do resto da região Norte do país, não só ligados ao sector da caça e pesca, mas também à venda de produtos regionais. A castanha foi um dos produtos mais cobiçado no certame. O chamado “ouro transmontano” parece ter sido dos mais vendidos, pelo menos para Abel Pereira, da Associação Arbórea, que no terceiro dia do evento já tinha vendido uma tonelada do fruto e ainda mandou vir uns outros tantos quilos para o vender no último dia. “A castanha tem mais qualidade e, este ano, apostamos só na variedade longal, que é a tradicional e as pessoas procuram mais”, disse. A Feira Internacional do Norte foi também uma grande atracção para os pescadores, que participaram nas diversas actividades e também não deixaram de passar no único stand de pesca que existia no certame. Francisco Morais contou que a feira, este ano, correu “melhor que no ano passado”, e que os amantes deste desporto procuram, essencialmente, “mostras para o achigã”. O comerciante faz ainda um reparo à organização, dizendo que “faltam mais actividades relacionadas com a pesca”. António Novais é do Porto e já não é novato no certame, uma vez que há cerca de quinze anos que vem a Bragança expor e vender o seu material de caça, nomeadamente armas e acessórios de óptica. “Está a correr bem e ontem também correu muito bem”, afirmou. E se os caçadores são os seus principais clientes, também há quem o procure pelo seu calçado, que não especificamente direccionado para o sector. Os enchidos e o mel, do Parque Natural de Montesinho, agora uma das 7 Maravilhas Doces de Portugal, também não podiam faltar na feira. Vânia Lourenço é brigantina e vende alheiras, botelho, chouriço e também bolos. A expositora disse que, este ano, a venda não foi tão boa como no ano anterior, ainda assim o fumeiro é sempre procurado. Um evento que não só é nacional, mas também ibérico, uma vez que conta com a participação de comerciantes de Espanha e que, traz com eles, os curiosos espanhóis. “A ideia é levarmos o evento para fora de portas”, afirmou Hernâni Dias, presidente da câmara de Bragança, realçando ainda que o certame dinamiza a economia dos agricultores e da região de forma “muito objectiva”, uma vez que os hotéis já estão “há bastante tempo” lotados, o que significa que o evento “traz muita gente a Bragança, não só pessoas que vêm visitar a feira, mas que também passam cá o fim-de-semana para visitar a região”. 

Pequenos e novos confrades

O baixo consumo da castanha por parte dos mais novos tem vindo a afectar o sector e é uma das preocupações da Confraria Ibérica da Castanha. Por isso, vai ser fundado um “grupo júnior de confrades”, com o intuito de sensibilizar os mais pequenos para o consumo do produto. Está ainda previsto no plano de actividades da confraria, acções de sensibilização nas escolas, de forma a chamar atenção dos jovens para o potencial da castanha. Segundo a grão-mestre desta irmandade, Sónia Geraldes, este problema deve-se à “sazonalidade”. “Não é fácil encontrar no mercado produtos, ao longo ano, que nos permitam consumir castanha. Ainda assim já vamos tendo alguns, mas a oferta ainda é muito pouca. Temos que aumentar essa disponibilidade, mas também a facilidade de consumo”, explicou. A Confraria Ibérica da Castanha aproveitou ainda a Feira Internacional do Norte para entronizar 4 novos confrades, perfazendo um total 163 elementos. Os novos confrades estão ligados aos vários sectores da fileira, desde a investigação à produção. Maria João Gaspar é uma dos novos confrades entronizada no passado sábado. É professora na UTAD e trabalha há vários anos na área da investigação do melhoramento genético da castanha e do castanheiro e acredita que a sua experiência poderá ajudar a resolver alguns problemas do sector, nomeadamente, o da diminuição da ingestão da castanha. Maria João Gaspar defende que é necessário “levar a castanha aos grandes centros urbanos”. A professora esteve ainda inserida num projecto que criou um “clone resistente à doença da tinta”.

O sucesso das largadas do parasitóide

Em 2019, foram realizadas largadas de parasitóide de combate à vespa das galhas do castanheiro, em 16 locais monitorizados, 11 em Vinhais e 5 em Bragança. Segundo Albino Bento, professor do IPB, à margem do Fórum Internacional da Castanha, os resultados são “muito bons”, uma vez que o parasitóide está instalado em 94% dos locais. No total, foram feitas 240 largadas, um número muito acima do do ano anterior. “Penso que estamos a trabalhar relativamente bem e estamos a fazer as largadas com critério e atempadamente”, afirmou Albino Bento. Ainda assim, a praga só será combatida após cinco ou seis anos da introdução do parasitóide. Desta forma, os produtores, nos próximos dois anos ainda terão algum prejuízo. “É preciso que os produtores tenham paciência, porque, inevitavelmente, vão ter dois ou três anos com prejuízo, até o Turymus Sinensis tomar conta da praga”, concluiu.

Jornalista: 
Ângela Pais