Estudantes ameaçam abandonar o distrital e pedem a demissão da direcção da AFB

Ter, 15/01/2019 - 08:03


A formação africana queixa-se de racismo e da falta de atitude da Associação de Futebol de Bragança em relação ao comportamento de alguns árbitros.

Os Estudantes Africanos manifestaram-se contra o racismo, a discriminação e a intolerância. O protesto aconteceu no domingo, na jornada 10 da Divisão de Honra Repsol Gás, frente ao GD Sendim. Os jogadores da formação africana estiveram, no início da partida, 30 segundos sem jogar para mostrar o seu descontentamento com a Associação de Futebol de Bragança.

Óscar Monteiro, técnico/director dos Estudantes, acusa a direcção da AFB de compactuar com os árbitros Joel Miranda, Nelson Ramos e Rui Domingues, que consideram não mostrarem qualquer respeito pelos jogadores e restante estrutura do clube.

“O prejudicar não está relacionado com o resultado do jogo mas sim com o comportamento que esses árbitros têm connosco. São árbitros que incitam à violência e dá a impressão que estão sempre à espera da nossa reacção. Esses três árbitros chegam ao nosso campo, ou outro onde vamos jogar, e não têm respeito por nós. Eles criam atritos antes, durante e depois do jogo”, afirmou.

Ainda a cumprir os três meses de suspensão aplicados, em Outubro, pelo Conselho de Disciplina da AFB, Óscar Monteiro queixa-se de racismo e aponta para uma perseguição à equipa dos Estudantes Africanos.

O treinador diz já ter inteirado o presidente da AFB, António Ramos, sobre a situação e que já pediu os três árbitros em causa não serem nomeados para os jogos dos Estudantes. Óscar Monteiro mostra-se desagradado com a resposta do líder da associação.

“Nós somos três treinadores e um é português e a solução que o presidente da associação de futebol nos deu foi deixar falar o branco, o português, com os árbitros porque eu e o Edvaldo estamos na mira deles, e, segundo ele, qualquer coisa que dissermos vão castigar-nos. É essa posição que o presidente da AFB tem para resolver a situação?”

Óscar Monteiro lembra que na época passada a equipa passou por igual situação e que, na altura, a AFB atendeu ao pedido do clube e os referidos árbitros não foram mais nomeados para os jogos dos Estudantes até ao final da temporada.

Já esta época, o técnico entende a falta de atitude da associação de futebol como um “acto de vingança” pelo facto de os Estudantes terem reclamado o dinheiro a que, supostamente, teriam direito da receita da final da taça.  

“A Associação de Futebol de Bragança tem-se colocado do lado desses árbitros. Não sei se é para benefício próprio e lhes interessa que esses juízes arbitrem os nossos jogos por uma questão financeira devido às multas que nos são aplicadas”, acrescentou.

Os Estudantes Africanos ponderam mesmo abandonar a competição e pedem a demissão da direcção da A.F. Bragança. “Nós, neste momento, estamos a ponderar abandonar o campeonato. Estamos a ver se isso nos traz penalizações ou não. Se não trouxer vamos abandonar e não voltamos a competir até esta direcção da AFB se demitir. Nem que tenhamos que alegar falta de condições financeiras, o que não é mentira. Não temos dinheiro para estar sempre pagar multas à AFB”.

E, a continuar em prova, os Estudantes prometem não ir a jogo caso sejam nomeados os árbitros Joel Miranda, Nelson Ramos e Rui Domingues. A equipa vai ainda manter o protesto de 30 segundos sem jogar em todas as jornadas até ao final da época.

O Nordeste contactou o presidente da A.F. Bragança, António Ramos, que se comprometeu a responder a todas as questões relacionadas com o assunto. 

 

 

 

Jornalista: 
Susana Madureira