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Espécie rara e ameaçada de águia pode voltar a Trás-os-Montes

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Qua, 20/05/2020 - 09:22


Exemplar de uma águia-imperial-ibérica foi avistado no concelho de Mogadouro

Uma águia-imperial-ibérica imatura, ou seja, uma ave jovem, cuja espécie é rara e está ameaçada, esteve de passagem em Bruçó, no concelho de Mogadouro, em pleno Parque Natural do Douro Internacional. O registo da visita foi feito por câmaras de armadilhagem fotográfica, da responsabilidade da Palombar – Conservação da Natureza, colocadas num dos campos de alimentação para aves necrófagas.

Nos finais da década de 70 e inícios dos anos 80, a população reprodutora da espécie, também presente no território transmontano, terá desaparecido em Portugal. A nidificação só voltou a ser confirmada vários anos mais tarde, em 2003. Ainda assim, o regresso ter-se-á apenas dado na região do Tejo Internacional, na Beira Baixa. O avistamento neste território, segundo o presidente da Palombar, José Pereira, significa, antes de mais, que “os esforços que têm sido feitos, nos últimos 20/30 anos, para a recuperação desta ave, têm surtido alguns resultados” que se têm traduzido no regresso da espécie a solo português e no aumento do número de casais nidificantes, tornando a população da espécie mais numerosa. O trabalho feito, segundo José Pereira, também é notório no que toca ao aumento da área de distribuição do animal, levando a crer que “poderá, porventura, voltar a ocupar a área histórica de distribuição, nomeadamente o norte de Portugal”.

Na região, onde actualmente não existem casais reprodutores de águia-imperial-ibérica, este é o segundo registo que a Palombar fez de um indivíduo imaturo da espécie, sendo que o primeiro ocorreu em Setembro de 2018, também no Parque Natural do Douro Internacional. Como o avistamento de indivíduos desta espécie é muito raro tão a norte do país, tratando-se de uma águia-imperial-ibérica imatura, o mais provável é que esteja em dispersão e a estabelecer o seu território. “Está à procura de um sítio, que é o que fazem nesta fase”, confirmou o presidente da Palombar, que afirmou que estão,juntamente com especialistas, a tentar perceber se a ave avistada nas duas situações será a mesma. Caso seja, “é um sinal positivo” porque “o individuo poderá mesmo escolher este local para, quando atingir a maturidade, se fixar”.

A espécie, que está restrita como nidificante em Portugal e em Espanha, é uma das aves de rapina mais ameaçadas da Europa, estando igualmente entre as mais raras a nível mundial, tendo um estatuto de “Criticamente em Perigo” no nosso país. Em 2018, a população nacional nidificante totalizou 17 casais, distribuídos pelas regiões da Beira Baixa, Alto Alentejo e Baixo Alentejo.

Jornalista: 
Carina Alves