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Edrosa é uma aldeia de fé

Ter, 29/05/2007 - 10:36


Delmina da Assunção é um dos rostos mais antigos da aldeia de Edrosa, no concelho de Vinhais. Aos 86 anos, esta habitante recorda os tempos alegres, em que a sua rua se enchia de gente, ao mesmo tempo, que vai passando o tempo a fiar e a fazer na meia. “Já faço isto quase de olhos fechados”, graceja.

Situada a cerca de 23 quilómetros da sede de concelho, esta localidade viu partir a juventude para longe, ficando, apenas, aqueles que se afeiçoaram à terra. A agricultura e a pecuária são as principais fontes de rendimento das pessoas que residem em Edrosa, mas há quem se queixe da falta de compradores e dos baixos preços praticados. “Aqui colhe-se muita castanha, é o principal produto. Também há quatro vacarias com cerca de 15 animais e tractores para cultivar os terrenos”, salienta Luís Gonçalves, residente na localidade.
A partida dos mais novos, no entanto, é encarada com normalidade. Os habitantes reconhecem as carências de uma aldeia que passou ao lado do desenvolvimento. “O que é que [os jovens] ficavam cá a fazer. A agricultura não dá nada e para ganharem dinheiro tiveram que sair daqui”, afirma Arminda Pimparel, outra moradora.

Construção de um Lar ou de um Centro de Dia é a principal reivindicação da população

A maioria das pessoas encontram-se em França ou nas cidades do litoral, mas é a fé que faz regressar à terra aqueles que partiram em busca de uma vida melhor. No dia da celebração da festa do Senhor dos Passos (no domingo de Lázaro), os mais novos regressam à aldeia e fazem questão em participar na procissão ao vivo (ver caixa).
Dividida pela EN 206, que liga Bragança a Torre D. Chama, Edrosa destaca-se pela beleza das suas paisagens e pelo património cultural que ainda lhe vai dando alguma vitalidade. As fontes, a igreja matriz e as capelinhas do Senhor dos Passos são as principais memórias guardadas pelas gentes da aldeia.
A população afirma que Edrosa foi uma das primeiras localidades dotadas de saneamento básico e de água canalizada, mas destacam a falta de um lar ou de um centro de dia, bem como a visita regular do médico que, agora, só dá consultas na aldeia uma vez por mês.