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As dores que o Governo não tem

Ter, 13/03/2007 - 16:17


É hoje óbvio para quase toda a gente que o governo se mostra incapaz de resolver adequadamente o problema do défice nacional. Não só não é capaz como não consegue pôr em prática os conhecimentos de economia que deveria ter para o fazer. Aliás, não é necessário ter grandes conhecimentos de economia para saber que só aumentando a produção nacional é que se consegue fazer frente ao défice da balança de pagamentos.

Não vai longe o tempo em que os países usavam e abusavam da doutrina mercantilista que lhes permitia manter um certo equilíbrio entre as importações e as exportações, não desperdiçando dinheiro em importações desnecessárias. No entanto e apesar disso mesmo, alguns países teimavam em usar só os produtos importados com a desculpa de que eram melhores que os nacionais. Um desses países era Portugal! Um dos grandes lutadores contra esta mentalidade foi o Conde de Ericeira que publicou as célebres leis Pragmáticas, proibindo mesmo o uso de alguns produtos estrangeiros a quem já os tinha adquirido, como as famosas rendas francesas, para não causar inveja aos que as pretendiam adquirir. Para isso foi necessário implementar a indústria nacional para que a produção impedisse uma maior importação. Era lógico este pensamento económico, muito embora nem sempre fosse bem sucedido. Na verdade em teoria ele dizia que um Estado seria tanto mais rico quanto maior quantidade de metais preciosos tivesse nos seus cofres. Simples. Bastava cortar as importações e aumentar as exportações! E hoje? Será que este princípio não pode ser aplicado? Será que está errado?
Na verdade, o que nós verificamos em Portugal hoje é que não há produção interna e se ela não existe não pode haver dinheiro para pagar as importações. Um país que não produz, é um país dependente e portanto, deficitário. Não há riqueza, não dinheiro, não há desenvolvimento. E como se pagam as contas? Como resolver o défice das contas públicas? Como manter os padrões de equilíbrio exigidos por Bruxelas? Como é possível não aumentar a inflação?
Para um país que não produz e que mantém baixos os padrões de sobrevivência económica, só tem uma alternativa: subir os impostos, reduzir os gastos públicos e cortar serviços públicos. Já todos nos apercebemos disto. Penso não haver ninguém com uma mentalidade suficientemente naïve para acreditar em outra coisa ou outra forma justificativa de tal atitude.
Neste momento o que o governo está a fazer é só isso e nada mais. Quando é acusado disso mesmo, porque felizmente já o está a ser, desculpa-se justificando com uma política mais moderna, mais simplex, mais adequada aos portugueses, menos burocrática, mais flexível, mais ajustada, mais justa, mais equitativa, mais, mais, mais ……
Quando eu andava no Liceu, mentalizavam-nos através dos currículos, que as doutrinas socialistas eram negativas, de esquerda, radicais e que só tinham, talvez, uma coisa boa: o acesso à saúde gratuita para todos e em boas condições. Tudo o resto era extremamente obrigatório e exigido numa plataforma de ditadura onde só o Estado era dono e senhor. Sempre estive convencido de que realmente o aspecto da saúde era verdadeiro. Hoje conseguimos ainda ter algumas referências nesse campo, como é o caso dos médicos cubanos. Mas são já poucos os exemplos.
Em Portugal e seguindo a política socialista, o que se verifica é o contrário. Aliás, nem outra coisa seria de esperar! Acabam-se com os serviços médicos que tanta segurança davam às populações, acabavam-se com as urgências, fecham-se maternidades, fecham-se hospitais, acabam-se com os Centros de Saúde, enfim, um sem número de asneiras em nome de quê? De maior credibilização dos serviços e de melhor funcionalidade, diz o governo. E todos nós dizemos, em nome de um economicismo sem par! Só se pensa no factor economia! Como não se consegue pôr o país a produzir e se precisa de dinheiro, o mais fácil é tirá-lo aos contribuintes! Quem é que se preocupa com as doenças dos portugueses? Quem se preocupa com as dores físicas que todos temos, todos os dias? Já não falamos nas dores interiores! Aquelas mais do foro mental e que nos levam a pensar o que deveríamos ter feito nas últimas eleições! E o que faremos nas próximas? Dói, não dói? Pois dói! Para já não há remédio! As urgências não funcionam, os hospitais estão fechados e as farmácias não podem aviar as receitas sem prescrição médica. E os médicos… estão-se marimbando para o senhor ministro da saúde! É que ao governo ainda não dói nada! Mas quando doer…….!