Ter, 12/02/2008 - 10:25
Tudo começou com o assalto a uma casa onde algumas jovens se refugiavam. Mesmo com as portas trancadas, os diabos ultrapassam todos os obstáculos e nem a água e a cinza entornada pelas jovens fez desistir os mascarados, que apanharam as jovens para as levarem à pedra.
É no pelourinho da vila que as moças são flageladas com cinturadas, são obrigadas a beijar a gadanha da Morte, ao mesmo tempo que recitam antigas orações profanas como: “Padre Nosso, caldo grosso, carne gorda não tem osso, rilha-o tu que eu já não posso”, ou “Salve Rainha, mata a galinha, põe-na a cozer, dá cá a borracha que quero beber”, e ainda “Creio em Deus, padre todo-poderoso, o filho do rei criou um raposo”.
Os mais pequenos asseguram a continuidade de uma tradição única, que se pretende preservar
De ano para ano, o número de diabos a participar na encenação tem aumentado e, alguns homens, decidiram mesmo tirar o fato da gaveta para voltarem a ter um papel activo na preservação desta tradição, única no País.
“Em três anos conseguimos reavivar este ritual tradicional, que se encontrava praticamente extinto. As pessoas saem à rua para participarem e, apesar de saberem que as chicotadas já não são tão fortes como noutros tempos, continuam a guardar respeito à Morte e aos diabos”, salientou o vice-presidente da Câmara Municipal de Vinhais, Roberto Afonso.
Os mais novos também participaram no ritual, assegurando a continuidade de uma tradição que ainda se encontra na memória de muitos vinhaenses.
“É também uma forma de mostrarmos aos mais pequenos a importância de preservar as nossas tradições, que são a nossa identidade cultural”, concluiu Roberto Afonso.


