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Desertificação ameaça Valverde

Ter, 12/06/2007 - 10:02


Situada a, apenas, quatro quilómetros de Alfândega da Fé, a aldeia de Valverde vive de perto o drama da desertificação. Os jovens partiram e, actualmente, o número de habitantes ronda a centena, na sua maioria idosos.

“Tenho quatro sobrinhos que foram para Bragança estudar e lá ficaram”, lamenta Maria da Assunção, uma das habitantes mais antigas da aldeia.
A amêndoa e o azeite são as principais fontes de rendimento de quem resiste em Valverde. “Os jovens vão-se embora porque aqui não há emprego. A agricultura é a única fonte de rendimento que temos”, afirma Maria de Lurdes Lamas, outra habitante.
O tempo passa devagar num lugar onde paira a calma e o cheiro a campo. O património é a principal riqueza destas gentes, que recordam, com alguma emoção, lendas e histórias de tempos longínquos.
Frei João Hortelão, personagem ligada à valiosa cruz processual de Valverde (um símbolo guardado pela população com um autêntico sentimento de fé, misticismo e, até, patriotismo) é uma das figuras lendárias que permanece na memória da comunidade.
Apesar das diferentes versões encontradas, a cruz processual representa uma relíquia para quem vive em Valverde, tal como a igreja matriz, o santuário de S. Bernardino de Sena, a capela de S. Sebastião e uma fonte do século XVIII.

A construção de um Centro de Dia e de uma casa mortuária são os anseios da população

Nas conversas, as pessoas recordam os tempos de antigamente, quando a aldeia tinha muita gente e se reuniam em festas e bailes. O convívio foi uma das coisas que se foi perdendo com a partida dos jovens e que, agora, os mais idosos gostariam de retomar. Por isso, dizem que um dos equipamentos que faz falta é um Centro de Dia, para que as pessoas se possam reunir, conversar e passar o tempo com diversas actividades tradicionais.
O presidente da Junta de Freguesia, António Rodrigues, reconhece a necessidade desta infra-estrutura, bem como de uma casa mortuária. No entanto, realça que já existe um projecto para a requalificação do santuário de S. Bernardino, um espaço religioso de grande importância para a população.
O desenvolvimento parece ter passado ao lado de uma aldeia, que até foi das primeiras a ter electricidade, água canalizada e saneamento. O arranjo das ruas foi, igualmente, uma grande mudança, mas insuficiente para impedir a partida da juventude.
A maioria das pessoas emigraram ou rumaram para as cidades à procura de emprego, regressando à sua terra natal, apenas, em ocasiões festivas e no Verão, altura em que há mais movimento.