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Da cadeia para o Ensino Superior

Ter, 29/04/2008 - 10:48


Tinha 14 anos quando deu os primeiros passos pelos caminhos da droga, juntamente com os amigos. Depois de vários anos a consumir haxixe, “Maria”, nome fictício, decidiu experimentar heroína e, em pouco tempo, estava envolvida na teia das drogas pesadas. Os tempos que passou ligados ao consumo e ao tráfico terminaram no Estabelecimento Prisional da Guarda, onde ganhou coragem para recomeçar uma vida longe das drogas.

Actualmente, “Maria” é um caso de reinserção social de sucesso. Frequenta um curso superior no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), arranjou emprego e aproximou-se da família e dos amigos.
A dependência em heroína levou-a a seguir os trilhos do tráfico para conseguir dinheiro para sustentar o vício. “Para se consumir tem que se optar por um de três caminhos: roubar, prostituir ou traficar. Eu escolhi o tráfico, porque achei que era a forma mais fácil de ganhar dinheiro para comprar droga”, recorda a ex-reclusa.
Quanto mais se envolvia neste esquema mais complicado se tornava viver em sociedade. “O meu marido também consumia. Apesar dos meus filhos saberem do que se passava, houve uma altura em que achei que era melhor entregá-los à minha mãe, porque eles não tinham que viver certas cenas pelo facto de eu andar na droga”, explica.

“Maria” é a protagonista de uma história de reinserção social de sucesso, mas reconhece que é “uma excepção à regra”

A infelicidade e o sofrimento acumulados ao longo dos 12 anos de dependência deram-lhe coragem para pôr um ponto final no consumo. Depois de ter a certeza que queria deixar a heroína, “Maria”iniciou um tratamento e diz que nunca teve nenhuma recaída. “Não há milagres, a recuperação depende, apenas, de nós. Se não tivermos vontade não vale a pena”, sustenta.
“Maria” substituiu a heroína por metadona, mas continuou a vender estupefacientes a outros toxicodependentes. (ver caixa).
Depois de mais algum tempo, “Maria” foi apanhada pelas autoridades, julgada e esteve detida durante três anos. “Fui pagar aquilo que realmente fiz. Eu não fui para a cadeia inocente”, reconhece.
O tempo que passou nas celas serviu para reflectir e chegou à conclusão que a vida sem drogas é muito mais fácil. “Há males que vêm por bem e o facto de ter ido parar à cadeia foi um deles”, salienta a ex-reclusa.
Depois de um “empurrão” de uma assistente social, foi na prisão que “Maria” percebeu o verdadeiro sentido da vida. “Fiz o acesso ao Ensino Superior e consegui entrar no Instituto Politécnico da Guarda, depois vim para Bragança e continuei cá os estudos”, conta.