Carlos Martins toma posse como comandante dos bombeiros de Bragança numa altura “difícil financeiramente”
Os Bombeiros Voluntários de Bragança admitem recorrer ao apoio da sociedade civil e de entidades locais para fazer face aos gastos que continuam a subir. Os bombeiros de Bragança despendem mais cerca de 10 mil euros por mês em combustível, comparativamente com o ano passado, valor que passou de cer
Os Bombeiros Voluntários de Bragança admitem recorrer ao apoio da sociedade civil e de entidades locais para fazer face aos gastos que continuam a subir.
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Os bombeiros de Bragança despendem mais cerca de 10 mil euros por mês em combustível, comparativamente com o ano passado, valor que passou de cerca de 18 mil para 28 mil euros. Já o preço pago o transporte de doentes mantém-se inalterado há cerca de uma década, situando-se nos 51 cêntimos por quilómetro. Além do preço dos combustíveis, também o aumento do salário mínimo deixa as contas da corporação no limite. “Estamos a chegar a um ponto muito crítico, porque infelizmente o Estado não nos está a remunerar como devia. As nossas despesas neste momento são superiores ao que o Estado nos está a pagar por quilómetro, nós não queremos que as pessoas de Bragança fiquem sem socorro”, sublinhou o presidente da Associação Humanitária, José Fernandes, que afirmou mesmo que são as corpora-
ções que estão a subsidiar o Estado. Ainda assim, o antigo comandante assegura que o socorro por parte dos bombeiros não vai ficar comprometido. “Prometo aqui que o povo de Bragança não vai ficar para trás nem vai morrer por falta de socorro, independentemente de o Governo nos apoiar ou não, porque se não nos apoiar iremos ter com o povo, como os bombeiros já foram muitas vezes, e o povo há-de vir em nosso auxílio e também sabemos que a câmara municipal nos há-de apoiar”, referiu.
Declarações no aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Bragança, que no passado sábado comemorou 132 anos de existência. Cerimónia que ficou marcada pela tomada de posse de
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Carlos Martins como novo comandante da corporação. Entrou para a corporação em 1995 e depois de 15 anos como segundo comandante e desde Novembro como comandante interino, agora que assumiu oficialmente o cargo afirma que vai trabalhar para que o seu legado seja marcante e adiantou que vai apostar em dois pilares fundamentais. “Um é a formação, para manter o socorro no patamar de excelência a que estamos habituados. Outro é a sustentabilidade, estou a contar com órgãos locais, distritais e até nacionais para que nos possam auxiliar neste que é um período bastante difícil, monetariamente, porque o pre-
ço dos combustíveis está a aumentar, o salário mínimo aumentou, o voluntariado está em decréscimo, em três anos conseguimos promover quatro bombeiros, o que é muito pouco”, acrescenta.
Apesar da situação ser preocupante, ao assumir o comando da corporação também garante que nem o socorro nem o combate a incêndios está em causa. “Estamos preparados para
aguentar bastante tempo, mas se isto continuar assim vai haver dificuldades”, explica já que o “o aumento dos custos vai afectar a situação financeira das associações, na vertente do transporte
de doentes”, desequilibrando as contas. Perante a possibilidade de os bombeiros precisarem de mais apoios, o presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, deixou a garantia de que o municí-
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pio “vai ter a preocupação de fazer o que tem de ser feito para que nada de mal aconteça” e apesar de se dizer “muito confortável com o nível e a prontidão de socorro no nosso concelho, garantido seja por esta corporação seja pelos Bombeiros Voluntários de Izeda”, que fazem uma “cobertura boa”, admite pressionar para que o apoio aos soldados da paz aumente. “Faremos aquilo que nos compete fazer, mas
não deixaremos de reivindicar, junto das entidades competentes, aquilo a que cada um tem direito, que são os meios que lhes permitem desenvolver a sua actividade, com o mais elevado profissionalismo”, afirmou o
autarca.
Nova ambulância e equipamentos
Os Bombeiros Voluntários de Bragança receberam ainda uma ambulância de socorro pré-hospitalar totalmente equipada, oferecida por um habitante da cidade que quis ficar no anonimato. “Temos uma ambulância o INEM no Posto de Emergência Médica, no entanto, temos em média 300 ocorrências por mês e uma ambulância não chega, os corpos de bombeiros têm de se munir de ambulâncias iguais às amarelas, para fazer o mesmo serviço. Temos seis destas ambulâncias disponíveis para emergência pré-hospitalar”, destacou o comandante. Já a associação humanitária, investiu cerca de 17 mil euros em 16 equipamentos de protecção para os bombeiros, para as duas equipas de intervenção permanente, renovados devido ao desgaste.
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